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12/01/2011

Borderline Melhora?


Da série: Termos de busca

Semana passada alguém chegou até o meu blog com a seguinte pergunta:

"Borderline Melhora?"

Me animei a responder porque muita gente se deixa abater quando descobre que o TPB não tem cura e com isso se rende ao desânimo e chega até mesmo a desistir do tratamento. E esquece que sim, o borderline pode melhorar e muito!

Fico frustrada e triste quando leio depoimentos em blogs onde o borderline se diz amaldiçoado com um transtorno que não tem cura.

Sempre bato na mesmíssima tecla: Diabetes tem cura?

Não tem, não é verdade?
E uma pessoa ao descobrir que tem diabetes tem que fazer o que?
Dependendo da elevação do açúcar no sangue a primeira coisa é deixar de ingerir glicose. 
Um sacrifício e tanto para a maioria das pessoas.
E mesmo que o paciente diabético não tenha que cortar o açúcar em 100% de sua alimentação, por certo terá que reduzi-lo e sempre vigiar.
Além disso, o diabético normalmente tem que tomar medicamentos, cuidar muito bem de seus pés etc etc etc

Nem por isso, ao receber o diagnóstico o diabético vai deixar de viver, certo? Mesmo sabendo que não há cura para o diabetes, ele vai seguir uma dieta e sempre consultar com seu médico. Assim sendo, seu organismo responderá ao tratamento e ele poderá levar uma vida relativamente normal!

Da mesma forma o portador do TPB não deve desanimar diante do diagnóstico e/ou diante do fator não-curativo do mesmo.

Sim, o comportamento da pessoa borderline pode melhorar e muito.
Mas não é da noite para o dia e exige-se sacrifícios.
Infelizmente não há uma "insulina border" para tratar o TPB.

Mas consultando um profissional, seguindo a risca o tratamento (seja medicamentos e/ou terapia) e se esforçando dentro do possível a melhora virá e o border passará de um border desiludido a um border consciente.

Essa consciência nem sempre ajudará a evitar uma crise, mas sem dúvida vai minimizar as consequências. 

Um border consciente nem sempre tem o controle absoluto de suas emoções, mas sem dúvida aprenderá, pouco a pouco, a dominar o seu comportamento.
Wally elsissy

7 comentários:

ladyborderline disse...

Olá!
Tudo bem?
Eu costumada associar transtornos com diabetes e quando passei a frequentar um grupo de encontro de bipolares fui criticada. Segundo eles, essa analogia simplifica nossa condição porque nosso quadro é muito mais complexo.
É só um comentário... Parabéns pela iniciativa!
Abçs

Wally elsissy disse...

Sim, sem dúvida que é MUITO mais complexo, mas a minha comparação aqui é que nenhum dos dois tem cura.

E focando no fator não-curativo só atrapalha ;)

bjos

ladyborderline disse...

Ok, eu entendi... É que sempre que vejo essa comparação recorrente me lembro desses meus conhecidos...

Ah há... mudou a foto do perfil, é? Foi porque pensei que vc dançava? rs...

Carla Dias disse...

Claro que focar no factor não -curativo atrapalha...
Mas tente dizer a um Boderline ainda jovem, com as emoções todas trocadas que é como diabetes?
Achas que ele entende ou aceita?
Só acontece se estiver num momento bom. Nos momentos maus tudo o que foi dito e aceite não conta!
A mente é uma força muito poderosa... e só alguém de cabeça sã consegue processar esse tipo de informação.
Mas como se costuma dizer... "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura "
Beijos,
Carla

Wally elsissy disse...

De fato num momento de crise é complicado.
Mas o cuidador pode insistir.
Não é uma coisa fácil, claro.
E o border tem todo o direito de se sentir desencorajado muitas vezes por causa dos sintomas... mas NUNCA pelo fator não-curativo.

Leila Frazao disse...

Muito bom seu blog. Parabéns pela sua coragem. Meu filho hoje descobriu a causa do seu sofrimento e de todos nós que estamos ao seu lado.Com certeza seu blog vai nos ajudar muito e a todos que estão passando por momentos tão difíceis.

Anônimo disse...

Sou psicóloga, com diagnóstico de TPB e estou em controle há alguns anos. Saí de um ambiente muito conturbado, e onde estou agora é mais pacífico, e me controlo bem, tanto que diminui meus remédios em 50%, estou sem terapia, (não por opção, mas porque minha terapeuta está afastada)e mesmo assim estou bem. Aprendi muita coisa sobre o TPB e sobre mim mesma, que me levaram a conviver bem com a condição. Saber os próprios limites e seguir o tratamento á risca é o caminho para estar bem. Se hoje pude ficar sem psi e diminuir os remédios, é porque houve um tempo (10 anos) em que estava tomando dose máxima de medicação e fazendo terapia 2 vezes por semana e não me importei. Segui o tratamento a risca, fazia o que me pediam, não bebia, quebrei meus cartões de crédito. Hoje sou outra pessoa. Pretendo retomar a terapia assim que minha terapeuta voltar. Terapia é muito importante para quem tem TPB. Sou casada, meu marido sabe, e lida bem com isso, mas ele também faz terapia, o que o ajuda muito. A rede de apoio também é super importante para a melhora do TPB. O que nos difere dos demais é que nossas emoções são exageradas, temos um, constante sentimento de vazio, e uma dificuldade em ficar sem o outro e lidar com rejeições, sejam elas reais ou imaginárias. Uma vez que se toma mais consciência destas coisas, você pode racionalizar mais sobre o que você sente e o que você é. E tomar as rédeas de sua vida de volta. O TPB não te define. Ele apenas faz com que você tenha algumas caracteristicas particulares. E quuem não é assim?

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