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08/08/2010

CVV - Um Coração Que Ouve Sem Preconceitos

Composto somente por voluntários, o CVV, busca, diariamente, valorizar a vida e escutar os outros.
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Para falar sobre esse trabalho de comprometimento e dedicação, o Portal do Voluntário conversou com Mayse Gama, Coordenadora Regional Rio-Vitória do CVV.
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Nesta entrevista, ela fala sobre a história do CVV, o processo de seleção de voluntários e a importância do compromisso.
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Portal do Voluntário  - O CVV foi fundado em 1962, em São Paulo. Qual o motivo da sua criação?
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Mayse Gama - Em 1962, um grupo de universitários observou que o mundo estava repleto de pessoas cada vez mais sozinhas. Enquanto a comunicação avançava, o ser humano se isolava. Esses jovens resolveram fazer algo e começaram com o Centro de Valorização da Vida. Nem eles imaginavam como esse projeto, que começou em São Paulo, iria crescer. Vários grupos aderiram ao projeto ao longo dos anos e atualmente são 2500 voluntários distribuídos em 55 postos.
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Portal do Voluntário – Como ele funciona?
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Mayse Gama - O CVV funciona em postos, como se fosse uma franquia. O primeiro posto inaugurado foi o da Abolição, em São Paulo. Todos seguimos as regras do manual do CVV, com cada posto se guiando da sua maneira. Funcionamos 24hrs por dia, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados.
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Portal do Voluntário – Qual o principal objetivo do Centro de Valorização da Vida?
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Mayse Gama – O principal objetivo é a valorização da vida. Nós procuramos oferecer apoio emocional para as pessoas que estão confusas e abaladas. Ouvimos, procuramos facilitar para que elas ordenem seus pensamentos e acabem com seus problemas.
Ao ligar para o Centro de Valorização da Vida, a pessoa vai ter a oportunidade de conversar com alguém que não tem pressa, não precisa dizer nome, sexo, endereço, profissão. Ela fica à vontade para abrir o seu coração. No CVV, não aconselhamos, pois acreditamos que a pessoa tem de encontrar as respostas dentro dela, sendo capaz de descobrir como resolver seus problemas e se organizar emocionalmente. Ao ser valorizada e acolhida, a pessoa se fortalece.
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Portal do Voluntario – Como a Instituição se mantém? Vocês recebem doações?
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Mayse Gama - Cada voluntário contribui, mensalmente, com uma taxa, definida por casa posto. Em 2002, o Governo Federal resolveu apoiar o CVV pois viu que não existia outra Instituição de prevenção ao suicídio no Brasil. A contribuição veio em forma de divulgação, o que foi ótimo, pois possibilitou que novos postos fossem abertos. Além disso, há um ano, a Anatel no deu um telefone de três digitos, o 141, que é um número de fácil memorização. Para nós, foi uma prova de reconhecimento do nosso trabalho.
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Portal do Voluntário – Atualmente, três postos do CVV atuam via e-mail. De que forma isso acontece? Vocês pretendem expandir isso?
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Mayse Gama - Resolvemos operar via e-mail também porque percebemos que na internet também acontecem coisas desagradáveis, que podem afetar as pessoas. O esquema é parecido com o dos telefonemas. A pessoa manda o e-mail e no mesmo dia obtém a resposta. Ainda está em processo de estruturação, mas será expandido pois já percebemos que o atendimento via e-mail é uma realidade para amanhã.
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Portal do Voluntário – Quais os principais assuntos tratados nas ligações?
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Mayse Gama - Os principais assuntos são a perda e a solidão. No caso da solidão, não significa que a  pessoa esteja necessariamente sozinha, mas não se sente aceita, compreendida. A perda é porque não somos treinados para perder, seja a juventude, a beleza, ou uma mudança brusca no modo de vida.
Qualquer pessoa pode ligar, acordar e sentir necessidade de falar com alguém. Não são apenas tristezas. Às vezes pessoas ligam para dividir alegrias e felicidade com a gente, querem compartilhar a alegria com alguém.
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Portal do Voluntário – Para trabalhar no CVV, o voluntário precisa ser formado em psicologia?
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Mayse Gama - Pelo contrário. Acreditamos que os psicólogos têm mais dificuldade pois no CVV não fazemos terapia, não incentivamos ninguém para que ligue sempre no mesmo horário, não marcamos consulta. Queremos que a pessoa encontre um coração que a ouça sem preconceito.
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Portal do Voluntário – Como funciona o processo de seleção para voluntários?

Mayse Gama - Os processos de seleção acontecem três vezes por ano, em cada posto. Durante um determinado final de semana, os interessados em trabalhar no CVV passam 10hrs tendo aulas teóricas sobre a instituição e o seu trabalho. Neste momento, já observamos os voluntários e identificamos os que não têm capacidade de ouvir o outro.
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Portal do Voluntário – Depois de serem pré-aprovados, os voluntários passam por treinamentos. Como são esses treinamentos?
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Mayse Gama - Após passarem por essa aprovação, os voluntários passam por um treinamento de nove semanas, com uma reunião por semana. No décimo encontro, falamos sobre a parte administrativa da instituição. Depois dessa apresentação, os voluntários se tornam estagiários e, pelos próximos 90 dias, fazem plantão supervisionado por monitores.
Após mais uma aula reforço sobre o trabalho e o objetivo do CVV, eles passam a ser considerados estagiários. O principal para trabalhar no CVV é ter disponibilidade de tempo e de cabeça, sem preconceitos ou barreiras.
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Portal do Voluntário – Qual a importância do compromisso no trabalho voluntário? E como garantí-lo?
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Mayse Gama - O trabalho, acima de tudo, tem que ser feito com amor. É um trabalho de vontade. Tem que ser feito com amor e dedicação. Nossas regras são rígidas e precisam ser respeitadas. Voluntário que falta reunião, pode ser excluído. No CVV, lidamos com o emocional das pessoas e a doação é 100% Além disso, somos todos voluntários aqui dentro, inclusive a diretoria. Então, é preciso obedecer essas normas e se comprometer com esse trabalho.
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Portal do Voluntário – O que deve fazer quem tiver interesse em participar ou ajudar o CVV?
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Mayse Gama - Acessar o nosso site e ficar atento no Portal para a divulgação dos processos de seleção de voluntários nos postos do CVV espalhados pelo Brasil.


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3 comentários:

Cristiane disse...

Nossa...ha tempos nao ouvia falar do CVV, e me veio agora lembrancas do tempo de minha mae (quando era viva), que teve problemas de depressao severa, por toda vida. Minha mae no passado chegou ate a ser internada em hospital psiquiatrico, e fez todo tipo de tratamentos, medicamentos, conheceu religioes, fisosofias, enfim...ela as vezes se utilizava dos servicos do CVV (nos tempos que morava sozinha, quando se divorciou de meu pai), e anos mais tarde, quando ela ja estava bem equilibrada, chegou a ser voluntaria la tambem. Mas duas coisas que a ajudaram muito em relacao a depressao - Alem da busca em Deus, ela se firmou na fe, uma outra coisa tambem, nao sei se voce ja ouviu falar , N.A. (Neuroticos Anonimos). E o mesmo segmento dos A.A. (Alcoolicos Anonimos), se utilizam dos mesmos passos, so que tudo dentro do segmento psicologico. Convivi por muitos anos sentindo na pele o quanto e duro ver alguem sofrendo de depressao, e minha mae, por conta de frequentar o N.A., tinha muitos amigos e amigas com problemas semelhantes, e de fato e tudo muito dificil...conheci amigas de minha mae que ate vieram a se suicidar,em suas crises de depressao, uma coisa triste demais...

Wally elsissy disse...

Cris, eu também já fui voluntária lá e foi uma das melhores épocas da minha vida!!!

Eu já ouvi sobre o N.A. mas não sei detalhes de como funciona o serviço deles.

Cristiane disse...

to te mandando por email algumas informacoes...beijos

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