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01/09/2011

Mutismo Seletivo

Mutismo seletivo é uma condição de ansiedade social, onde uma pessoa que é capaz de falar é incapaz de se expressar verbalmente em determinadas situações.

No Manual de Estatística e Diagnose de Desordens Mentais, o Mutismo Seletivo é descrito como uma desordem psicológica rara.

Crianças (e adultos) com este tipo de problema são completamente capazes de falar e compreender a linguagem, mas não o fazem em determinadas situações sociais, quando é o que se espera deles.

Funcionam normalmente em outras áreas do comportamento e aprendizado, embora se privam severamente de participar em atividades de grupo. É como uma forma extrema de timidez, mas a intensidade e duração a distingue.

Como por exemplo, uma criança pode passar todo o tempo completamente calado na escola, por anos, mas falar livremente ou excessivamente em casa.

Outras características são, além da timidez extrema, o retraimento social, a dependência e o perfeccionismo.

Esta desordem NÃO é considerada uma desordem da comunicação, pois a maioria das crianças se comunica através de expressões faciais, gestos, etc.

Ao ser realizado, o diagnóstico, pode ser confundido facilmente como um tipo seletivo de Autismo ou Síndrome de Asperger, especialmente se a criança atua de modo retraído na presença do psicólogo. Isto pode levar a um tratamento incorreto.

O Mutismo Seletivo é caracterizado por:

- Fracasso consistente para falar em situações sociais específicas (por exemplo, na escola, onde existe a expectativa de falar) apesar de expressar-se verbalmente em outras situações.

- Interfere nas conquistas educacionais ou com a comunicaçao social.

- O fracasso para falar não se deve a falta de conhecimento do idioma falado requerido na situação social.

- Não se considera como uma desordem da comunicação (a exemplo da gagueira).

Ainda não foram estabelecidas as causas, mas há evidencias de que existem um componente hereditário e que também é mais comum em meninas que em meninos e normalmente é percebida antes dos 5 anos de idade embora a maioria dos pais e/ou profissionais somente percebam o problema quando a criança começa na vida escolar.

Entre os aspectos negativos estão:


- Os portadores do Mutismo Seletivo encontram dificuldade em manter contato visual.

- Com frequência não sorriem em público ou em expressões vazias (sempre em público).

- Se movem de forma rígida e torpe.

- Não podem manejar situações onde se espera que falem normalmente, como uma saudação, uma despedida ou um agradecimento.

-Tendem a preocupar-se mais com as coisas de que o restante das pessoas.

- Podem ser muito sensíveis ao ruído e ao excesso de gente.

- Encontram dificuldade em falar sobre si mesmos ou expressar seus sentimentos.
.
Entre os aspectos positivos estão:


- Inteligência e percepção superior

- São sensíveis aos pensamentos e emoções alheias (empatia).

- Tem um grande poder de concentração.

- Com frequência tem um bom sentido do que é correto, incorreto e de justiça.

2 comentários:

Veronika disse...

Deve ser muito difícil ter de enfrentar algo assim tão jovem, tão pequeno, ainda mais considerando que muitas crianças vão para a pré-escola. Se as escolas não tem preparação alguma pra lidar com bullying, imagina com mutismo seletivo? Certo que até mesmo a psicóloga já vai tachar a criança de autista ou de Asperger (quando tiver conhecimento para tanto) e encaminhar para tratamento, criando um estigma que só vai piorar a situação, porque a criança, por si só, um perfeccionista com uma ansiedade social que não permite falar, vai desde pequeno se auto-rotular de "doente mental", um rótulo que não é fácil em nenhuma idade, mas que é pesado demais para se carregar na segunda infância e/ou na adolescência.
Lendo isso, sou perfeitamente capaz de imaginar a situação e me colocar no lugar dessas crianças. Nunca tive mutismo social, mas era tímida ao extremo. Conversava bastante com as professoras, mas fui vítima de bullying do primeiro ao último dia dentro da escola, morria de medo e de vergonha de abrir a boca no meio dos meus colegas. Só respondia às perguntas de classe, relacionadas ao conteúdo, era participativa, mas isso por ter sido sempre a "primeira" da classe, em termos de nota. Lembro que até a psicóloga me chamava pra me dar broncas por meu mau relacionamento, Wally, dizer que, se a classe não gostava de mim, se mexiam comigo, é porque EU era a errada, porque eu tinha de mudar, fazer algo a respeito. Foi um inferno. Passei recreios sozinha, sentada na escada, porque a sala ficava trancada. Todo mundo olhava pra mim como se eu fosse um verme. Vivvia dando explicações (odeio dar explicações) por estar quieta, sozinha no meu canto. Eu dificilmente sorria. As pessoas me acusavam de coisas que eu não fazia. Riam na minha frente, riam nas minhas costas, falavam que eu tinha cabelo ruim. Todo mundo ficava com algum guri, menos eu. Morria de dores de barriga na escola, de gases. Queriam cola, e eu não sabia como passar, ficaria vermelha feito um pimentão, se passasse, daí me odiavam ainda mais por isso. Sempre sobrava na educação física, era a última a ser escolhida. Quando finalmente, como "resto" ia para o time, ficava na reserva. Quando tinha de entrar, era todo mundo me pressionando pra não errar o saque, o lance-livre, etcétera. E eu sempre errava. Não sei se de tanto que me pressionavam, e eu ficava nervosa, ou porque eu era ruim mesmo. Fato é que todos passaram a dizer que eu era péssima em Educação Física. E, se a disciplina tem a função de nos educar para a saúde, o esporte, foi tão ferrenha comigo (até a professora dizia que eu era ruim, descoordenada, péssima), conseguiu: sou sedentária, odeio praticar atividades físicas, não gosto de nada, porque aprendi desde cedo que sou uma bosta em tudo que esteja relacionado a esporte coletivo. Me fizeram odiar uma atividade que é introduzida no currículo para ensinar saúde, e não para formar atletas (não no primeiro grau, pelo menos). Acho que a escola precisa repensar o que está fazendo com suas crianças. O governo é o maior culpado, tapando os olhos para os programas de ensino, para a falta de adequação didática, pedagógica, para a falta de uma conversa franca e aberta com seus professores de educação física, seus psicólogos, seus professores em geral. Não adianta nada ficar veiculando propaganda de bullying na rede globo, nem falar em CÉUS, nem em vagas de PROUNI e o diabo a quatro, quando o problema é mais embaixo.
Era isso que eu tinha pra dizer, Wally. Adorei o tema que você abordou aqui. Acho que faz pensar demais, abre um leque para muita discussão, sobre muitas coisas. Um assunto, deveras, vasto.

BEIJOS, e desculpa o tamanho do comentário! Quase um novo post!

Anônimo disse...

Veronica, posso usar seu depoimento no meu site www.bullyingnaoebrincadeira.com.br? Achei muito interessante e tenho certeza que propiciará boas reflexões.
Valeria Rezende da Silva
valeria@bullyingnaoebrincadeira.com.br

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