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13/06/2011

História Borderline - T.

Eu sou do RJ, tenho 20 anos e atualmente não trabalho.
Porque eu acho que posso ter o TPB? Na verdade, eu acho que tenho certeza.

Enfim, além de ter todos ou ter certeza de pelo menos 7 dos 9 sintomas do TPB, eu também relembrei alguns fatores do meu jeito e personalidade quando menor, depois de pesquisar sobre esse assunto.

Primeiramente, eu comecei a pesquisar pois as pessoas e principalmente meu namorado estavam começando a comentar e se mostrarem claramente incomodados pelas minhas reações excessivas e inscontância emocional. Comecei a pesquisar inicialmente depressão nervosa e anorexia, depois pesquisei por bipolaridades, até me lembrar do filme 'Garota, interrompida', após ler menções sobre o TPB durante essas pesquisas, e me lembrei do comportamento não só da personagem principal como das outras também.

Enfim, relembrando o meu comportamento, desde muito nova, por volta dos 7 anos, sempre fui de querer chamar muita atenção, e quando nao conseguia, começava a pular, gritar, mexer nas coisas, para que olhassem para mim. E sempre tive uma 'personalidade forte' e as coisas tinham que ser do meu jeito.

Com uns 8 anos, por motivos que desconheço, mas nada que tenha a ver com minha mae, eu acho, meu pai resolveu sair de casa e ir morar com a irmã dele. Me lembro até hoje, dele saindo de casa e eu chorava, não queria nem ir pra escola e nem saía de trás dele. Para a cabeça de uma criança eu estava sendo abandonada e nem sabia porquê.

Aceitei a ideia com o tempo e iamos pra casa da minha tia passar fins de semana lá. Um pouco depois, meu pai adoeceu e a partir dai a situação piorou aqui em casa, pois minha mãe ficou sobrecarregada, embora nunca tenhamos passado fome.

Sempre fui magrelinha e motivo de piadinhas ate entre os meus amigos. Tentei me suicidar aos 13 anos pela primeira vez com uma faca, mas não tive coragem pra me cortar, então tomei um pouco de veneno pra matar mosquitos, mas não cheguei nem a passar mal. O motivo? Uma colega de uma pessoa que viajou conosco brincou que minha toalha seria um pano de chão, e ainda por cima, ninguém me defendeu, e isso era o que eu esperava.

A partir dai, até hoje, foram mais de 15 tentativas de suicídio, a última, ha menos de 1 mês, eu misturei 4 comprimidos, em um intervalo pequeno após discutir com o meu namorado porque fui falar com a ex dele, não consegui esquecer, por impulsividade fui falar com ela via mensagens e remexer no assunto. Discutimos, ele ameaçou ir embora, mas acabou ficando comigo.

No dia seguinte, passei muito mal, com muitas dores no corpo e de cabeça, não conseguia nem me levantar, e só fui acordar mesmo às 17h, ainda com dor de cabeça.

Sempre fui uma pessoa tida pela familia como estressada, de lua, de personalidade/temperamento forte, auto-estima baixa e tive depressão com 15/16 anos, mas não lembro o motivo, acho que era a solidão dentro de casa e amorosamente, só lembro que me deitava na cama e só levantava quando minha mãe ia chegar do trabalho, e pra ir pra escola, sem vontade, só pra evitar perguntas.

Sempre fui quieta, na minha, mas gostava de atenção, apesar de nunca assumir. Nunca namorei, nem fiquei com ninguém, por opção e falta de escolha. Sempre fugia dos poucos que queria ficar comigo e nunca gostei de ninguém verdadeiramente, só de um primeiro amigo, que era apaixonado... por outra pessoa.

Esse namorado de agora é meu primeiro namorado, e eu ainda sou virgem. Acabo sentindo um pouco de pressão, mas ultimamente isso anda me confundindo ainda mais, apesar de saber bem que eu não quero nada agora, ele me respeita, mas acabo tendo reações explosivas quando conversamos sobre isso, e o magoo com muita facilidade.

Vivo provocando brigas mesmo sem querer, como quando eu briguei com ele porque eu não queria que ele fritasse ovo na panela e sim na frigideira. Nesse dia, conversamos, e ele me disse que eu não sei o que quero da vida, pois vivo mudando de opinião, que ele não tem nem certeza se eu gosto só de homens. 

Meus amigos mesmo, de vez em quando, quando estamos 'zoando' mesmo um com o outro, tambem dizem isso de forma mais implicita. Nunca liguei, mas ouvir isso dele me machucou.

Sempre fui estressada, explosiva, mas isso tudo piorou depois que comecei a trabalhar numa rede de Fast Food, por causa de toda aquela pressão e estresse.

Em casa, ninguém nunca tem nada de bom a falar de mim, só que reclamo muito, sou muito explosiva e nunca estou totalmente bem, nunca estou sorrindo, mas às vezes fico bem do nada, e mal do nada.

Meu namorado sempre está comigo, mas diz que eu sou possessiva, controladora, ciumenta, não sei o que quero, inconstante, reclamona, que eu nunca estou satisfeita, nada é bom pra mim, que eu me odeio, que o trato mal, estressada, exagerada, etc.

Um amigo esses dias me disse que eu sou complexa e não tenho opinião própria. Há pouco tempo estava com mania de me morder, nos braços, mas agora coço as pernas como se fosse arrancar a pele, mesmo que nao esteja coçando.

Como compulsivamente, como hoje, pra depois ficar dias sem comer direito, e muitas horas sem comer, almoçar ou jantar ou comendo bem pouquinho.

Não consigo me expressar muito bem, verbalmente, tenho auto estima muito prejudicada, e mudo de humor por motivos bobos ou que não merecem tanta atenção... ou reação. Mas não consigo deixar de ser assim, e o que realmente me fez pesquisar por isso foi que eu vi que eu posso perder meu talvez maior 'cuidador', apesar de estarmos há quase 1 ano e meio juntos e ele nunca me deixou. Mesmo sendo tratado mal, magoado, pois já o fiz chorar varias vezes, ate no aniversario dele, mas ate hoje não consigo me colocar como totalmente errada.

Quero a atenção dele o tempo todo, ate se eu estiver ocupada, e ele for pro computador, ja fecho a cara pois queria ele nem que seja me observando. Quero sempre a atenção das pessoas daqui, mas como sei que nao vou conseguir, jogo tudo em cima dele mas sinto que ele ja nao vai mais aguentar por muito tempo. Ja tentei terminar por causa do meu humor, e inclusive expliquei a ele, mas sem contar sobre o TPB, (não tive coragem e tenho medo dele achar isso uma bobeira e me deixar ou fazer isso) mas ele não aceita e sempre fazemos as pazes quando minha crise passa.

Não quero mais viver nessa montanha russa e tenho medo de em alguma dessas tentativas de suicidio, ou de mandar ele ir embora, eu acabar conseguindo, apesar de ao mesmo tempo querer ir embora nos dois sentidos na frase. Mas nao quero que as pessoas tenham que conviver comigo pois sei o quanto posso ser horrível e o quanto dói.

Estou indo à igreja em busca de um alivio, e de fato eu consigo por um tempo, mas as crises piores nunca param, fico até uma semana, no máximo, bem, ou controlando pra parecer bem, mas depois tenho recaídas.

O simples fato de hoje ser dia dos namorados e meu namorado estar dormindo, me fez aprofundar a crise que eu ja estava, pois nunca estou satisfeita com nada, nem com ele apesar dele nunca ter me deixado durante minhas crises. Queria que ele me abraçasse e visse o filme comigo ao invés de estar dormindo, mesmo sabendo que nada iria acontecer. E ver outras pessoas fazendo isso, com toda atenção, me faz me sentir ainda pior, mesmo que eu nao sinta inveja.

Me perdoa pelo texto enorme, ainda tenho mais a escrever...
De qualquer forma obrigada pelo blog, pelas ajudas, mesmo que indiretamente.

Beijos, Tay.
(via email)

27 comentários:

Carla Dias disse...

Ter apenas 20 anos é muito difícil.
Piora quando junto existe um distúrbio comportamental.
Escrever o que sentimos é mais um dos bons remédios para a doença.
Mas o melhor de tudo é reconhecer que ela existe e procurar, como tem vindo a fazer, o apoio necessário.
Um médico da especialidade também poderá indicar-lhe novos caminhos.
Entretanto, conte sempre com este espaço.
Cá estaremos, sempre do seu lado.
Abraços.
Carla

Anônimo disse...

Oi Tay, sobre seu último comentário de seu namorado estar dormindo e você esperar que ele estivesse ao seu lado ... acho que isso acontece sim porque as pessoas idealizam situações ... borders idealizam mais ainda ... comparamos o real com o ideal o tempo todo e essa comparação é injusta com o real pois ele nunca chegará a ser bom o suficiente perto do idealizado. Fazemos isso com pessoas, situações, tudo.
Saber disso pode ajudar a respirar um pouco.
No geral, sabemos o quanto é difícil ser border ... você disse que seu namorado não sabe exatamente do transtorno mas você comenta dos sintomas com ele. E, pelo que você conta, ele parece estar ao teu lado e isso é bacana.
Você ainda não procurou um psi? Lembro de uns comentários que você deixou pra Wally dizendo que tinha receio de buscar um tratamento. Estou certa?
Beijos
Maria

pensamento_e_reflexao disse...

Desculpe a intromissão, mas eu tive uma fase dessa ai que você detalhou, também tomei comprimidos para morrer, eu tinha 13 anos. Depois disso fiz terapia por 8 anos e recebi alta, eu me resgatei! Controlei meus impulsos e depois que tive meu filho notei que a vida te dá uma responsabilidade enorme nas mãos. Aos poucos, isso foi sumindo. Embora meus relacionamentos não foram "normais", pois tive um relacionamento com um homem separado que voltou pra mulher depois, antes disso, me deixou grávida e sozinha...Quando meu filho estava com 7 anos, conheci o meu ex marido, tivemos um filhinho, mas este bebia muito e então ou eu criava meus filhos morriam! Aprendi ser forte, eu não era jamais! Fui arrimo da casa e sempre trabalhei( sou professora)Hoje meus filhos estão com 18 e 11. Eu me separei e casei de novo, agora estou feliz com meu atual marido, ele era a pessoa certa que Deus colocou em minha vida. Não há mar de rosas, mas há muito amor entre nós. Eu quero dizer com isso, Tay, que você vai passar dessa, mas com ajuda de um profissional, acredite eu não era nenhum pouco diferente de você e hoje sou mais forte, guerreira, aprendi me amar e amar ao próximo, não levo desaforo pra casa e lido bem com situações problema, olha que tenho muito na escola( não é fácil dar aulas hoje em dia!) Acredite que a cura esta em você mesma e que com ajuda, você passará disto! Deus fez o mundo colorido, cheio de vida e com um sol brilhante para todos, principalmente você Tay, então, levante a cabeça, procure um psicólogo, antes que você perca preciosas pessoas em sua vida!

Reflexões Borderline disse...

Tá vendo, Tay, como é importante comentar aqui no blog? Assim várias pessoas respondem e a ajuda é maior ainda ;)

Obrigada a todos que estão tentando ajudar de alguma forma e por todos os comentários preciosos.

BJOS

Anônimo disse...

Muito obrigada. Não sei o que responder. Muito obrigada mesmo por toda força.
Claro que já tive muitos momentos de felicidade na minha vida, mas eu acredito que esses podem ter sido... fatores externos que ajudaram.
Já marquei um clinico geral amanhã, vou tentar convencê-lo a me encaminhar a um psicologo. Espero que dê certo.

Beijos, T. ♥

Anônimo disse...

Maria, ainda não procurei não, tenho muito medo. Digo, já que procurei, mas na época eu achava ser estresse por causa do trabalho. E não pude continuar, pois pagava 'por fora'.

Anônimo disse...

Entendi. Espero que vc consiga que o clínico a encaminhe para um psicólogo. Faz diferença quando estamos num tratamento.
Não se sinta só. Todas nós aqui compartilhamos o que você sente, viu?
Beijos, Maria

Anônimo disse...

Pois é. Não consegui e não acho que vá conseguir, melhor eu pesquisar e pagar por um e se eu não puder continuar ou não gostar, vou em outro... Preciso de um emprego, mas to com muito medo de nao me encaixar ou querer desistir.
Hoje eu acordei bem, mas não acho que eu vá continuar amanhã. E amanhã, pretendo contar pelo menos pro meu namo que eu talvez tenha um motivo pra ser assim, mas depende do rumo que a conversa tomar e eu não pretendo dizer que acho ser TPB pois não tenho total certeza, por mais que os sintomas sejam gritantes.

Beijos e muito obrigada pelo apoio. Tay

Anônimo disse...

Olá querida Tay,

bem sou psicoterapeuta e gostaria de dar a minha opnião para vc.
Primeiro fiquei contente em saber que as pessoas acima reconhecem a importância de procurar um profissional que possa ajuda-lá,pois este blog é muito esclarecedor,mas o papel do profissional é de total importância querida!
Você precisa procurar um psicólogo afim de obter um diagnóstico que possa orienta-lá,os seus sintomas são bem graves,foram muitas tentativas de suicidio,mas tenho certeza que isso não significa que vc não queira viver não é mesmo?É apenas uma tentativa de aliviar sua dor :(.
Que bom que vc já percebeu que há outros meios como por exemplo desabafar aqui!
Cuidado Tay ,pois as doenças da mente são muito complexas,os filmes ilustram muito bem o garota Interrompida por exemplo é muito bom para descrever o paciente Border,porém o diagnóstico não pode ser feito desta maneira,por vc se identificar com o sofrimento e sintomas dos personagens psiquiátricos que eu brinco que costumam seduzir os mais sensíveis.Partindo deste principio,todos nós pensariamos...Ô mais será que sou border?Bipolar ?????
ATENÇÃO: :o
Tay eu não sei onde vc reside,mas o acompanhamento psicológico se faz necessário e sei exige um investimento financeiro ou encaminhamento do clínico do convenio.E isso é um pouco dificil,porque para os médicos lidar com doenças "invisíveis" é um problema.Mas aconselho vc à procurar uma clínica escola,uma Universidade que tenha o curso de Psicologia e possa fornecer atendimento gratuito(Informe-se sobre atendimento gratuito em Universidades).Os profissionais são supervisionados por outros Psicólogos geralmente muito experiêntes e farão uma triagem e diagnóstico com vc,é um processo bem esclarecedor,após algumas sessões vc provavelmente será chamada para devolverem para vc o que foi diagnosticado e o que é indicado para o seu caso.
Boa sorte para vc tão nova e já preocupada consigo e isso é muito especial.
Ainda que vc seja diagnosticada com o transtorno ou outra doença,lembre-se que sempre há chances de melhorar e vc não é sua doença ,apenas tem uma doença!
Quanto a relação com o seu namorado,imagino que seja dificil para ele também,mas converse,não precisa expor o nome do que vc ainda desconfia que têm ,mas diga que vc precisa de ajuda e reconhece isso!Acalme-se,vc não precisa passar por isso sozinha,existem pessoas aqui neste canto para compartilhar angústias com vc,existe os profissionais ,e nós somos preparados para ajuda-los confie nisso ,e existem psiquiátras bons que podem ajuda-lá também,com medicações que a auxiliem ,não deixando vc dopada ,mas que ajude a amenizar os sintomas,esse vazio que a depressão trás consigo,ou seja...
O que vc viveu até hj foi muito doloroso,mas existe solução e as coisas serão clareadas conforme vc descubra o diagnóstico e caminho a seguir!

abraço carinhoso muita força e leve os processos e indicações até o final que tudo vai melhorar!


Renata L.

Anônimo disse...

Poxa Tay, olha que bacana o que a Renata escreveu. Queria que a Lyara lesse também pois mostra como muitos psicólogos pensam e ajuda a desmestificar um pouco o que as pessoas que nunca foram em um normalmente temem de não serem acolhidas ou compreendidas por esses profissionais e etc.
Obrigada Renata pelas suas palavras aqui no blog da Wally.
Beijos, Maria

Tay. disse...

Renata e Maria, muito obrigada mesmo!
Na verdade, quando vi ese filme não me liguei em muita coisa, apenas me identifiquei, de longe, com algumas personagens que tinham outras coisas e tal, mas lembrei quando achei esse blog. Estou correndo atras disso... e espero conseguir... cada vez lembro de mais fatos que remetem a isso, e cada vez parece que chego mais 'perto'... Mas não sei o que achar completamente disso tudo. É confuso. Tenho medo de ser outra coisa, nao sei, é como eu costumo dizer, eu nao sei se prefeiro ter algo e ter uma explicação pra isso tudo, ou nao ter nada e só. Não sei o que seria menos pior. Mas obrigada, mesmo.

Beijos

Anônimo disse...

Oi Maria,
Seu desejo se tornou realidade, eu continuo acompanhando o site diariamente, os comentários servem como uma âncora que nos puxa para a vida quando só pensamos em morte!

Anônimo disse...

É verdade que ainda não tive coragem de marcar um psi apesar de ter plano de saúde e o problema não ser o financeiro. Continua...

Anônimo disse...

Mas tenho medo de falar, não consigo abrir a boca para falar de mim nem mesmo diante de um espelho...

Anônimo disse...

O medo paralisa, nunca tive amigos, nunca conversei sobre minhas dificuldades com ninguém, são 23 anos vivendo no extremo silêncio/solidão/abandono emocional!

Anônimo disse...

Me sinto incapaz de falar como meu estado de humor está, parece que estou programada a fingir que está tudo ótimo pq se reagir de outra forma serei rejeitada... Continuo juntando meus cacos e adoraria ter a coragem da Tay de procurar ajuda... :( Lyara.

Anônimo disse...

Obs. Tive que separar o comentário pq o blog dava erro pra postar! Lyara.

Anônimo disse...

Navegando pela internet, e chorando muito, encontrei esse espaço...por favor, preciso de ajuda e talvez aqui eu a tenha encontrado! Sou casada a 15 anos com um homem e desse tempo todo, no mínimo a uns 13 não sei lidar com ele. Minha história começa como a de tantas outras. Casei-me muito nova depois de vários anos de namoro e não desconfiava do que estava por vir após o casamento. Ele sempre foi muito gentil, amoroso, delicado e se mostrava totalmente apaixonado. Vez ou outra apresentava cenas de ciúmes, mas eu achava até bonitinho porque demonstrava preocupação e carinho para comigo (eu achava isso...). Quando casamos, ambos trabalhávamos muito então nossa vida era um rotina perfeita, sem muitas discussões e brigas. Daí fui promovida na empresa em que atuava e passei a viajar constantemente. Quando eu voltava, ao invés de encontrar um marido com saudades, via um homem com raiva, que me xingava e me humilhava como seu eu tivesse culpa da minha empresa ter me enviado para mais uma viagem de trabalho. (continua...)

Anônimo disse...

(continuação) O mais estranho disso tudo é que eu pagava quase todas as contas da casa, pois estávamos comprando um imóvel próprio (morávamos de aluguel) e o salário dele era pra essa casa própria. Ou seja: eu precisava trabalhar e consequentemente viajar! Mas ele nem reparava nesse "detalhe"! O objetivo dele era me importunar, brigar comigo. Quando fiquei grávida do nosso primeiro filho, a coisa piorou drasticamente. A família dele começou a interferir na nossa vida, já que eu esperava a primeira criança da casa. Ninguém me deixava em paz! Eu era feita de escrava, mesmo todos vendo que eu tinha um recém-nascido pra cuidar na época. Lembro-me uma vez, logo que tirei meus pontos da cézarea, ele queria uma calça para ir em uma festa e essa calça estava amassada. Ele ficou com tanto ódio disso, mesmo tendo mais 15 calças passadas para usar, que atirou a mesma junto com um livro pesado que ele estava na mão, na minha direção, machucando a minha barriga recém-operada! Eu nem reagia de tanto medo dos seus gritos, xingamentos e humilhações! Morria de medo dele bater também no meu bebê! Daí eu chorava baixinho e logo ele vinha se desculpar, mostrando-se carinhoso e tals. Eu ficava magoada, mas acabava perdoando. Nesse meio tempo, ele recebeu uma transferência para outra cidade e apesar de eu continuar trabalhando e querer ficar no meu emprego, a família dele se meteu na nossa decisão e eu acabei pedindo demissão e indo com ele para outra cidade. Lá, engravidei novamente, mas como morávamos longe de tudo e todos, parecia que as coisas estavam se normalizando finalmente. Mas voltamos para a cidade anterior porque o emprego dele não deu certo e o inferno recomeçou! Tudo ele se irritava e punha a culpa em mim! Se o macarrão ficasse mais mole do que ele gostava, era motivo para jogar a comida toda no chão, gritar e me xingar! Toda vez que ele implicava com alguma coisa que eu fazia, ele me chamava de vagabunda e insinuava que eu não fazia nada o dia inteiro, que tinha que trabalhar. Mas quando eu arrumava um emprego, ele criticava, ficava do contra e eu não aceitava a proposta. Não tenho a quem recorrer porque só tenho um irmão como família e ele mora em outro país. Quando eu conto o que eu passo com o meu marido, ninguém acredita em mim pois para os outros, ele é extremamente sociável, polido, educado, gentil, engraçado e simpático! Já cheguei por muitas vezes a achar que eu era culpada por ele ser agressivo assim. Todo dia, eu checo minha casa toda, centímetro por centímetro, vendo se está limpo, se tem a comida que ele quer, se as roupas estão em ordem, se meus filhos estão quietos e limpos, porque se ele ver algo que não o agrade, é briga feia na certa. Ultimamente ele tem sido muito agressivo comigo por causa da família dele. A família do meu marido é daquelas muito ricas, que humilham as pessoas de menor poder aquisitivo. Eles estão sempre certos de tudo e eu estou sempre errada de tudo para meu marido. Estou com mais de 40 anos, desempregada a mais de 10 anos e não sei nem mais como fazer para cuidar dos meus filhos sozinha, nem tenho a quem recorrer, nem aonde ir, por isso vou ficando na relação, sem saber o que fazer. Já pedi para ele fazer terapia, até de casal, mas ele sempre diz que a louca sou eu. Eu mostro para ele o porque das coisas, explico, com carinho, com educação. Daí parece que ele entende e tals. Mas se depois de um tempo, a discussão surge novamente, parece que ele esquece tudo o que conversamos e volta a estaca zero!
Me ajudem! Se ele for borderline, como fazer para convencê-lo a se tratar! Estou desesperada!
Pati

Anônimo disse...

Olá queridas,
Lyara e compania...
Sei que é dificilfalar de si,infelizmente a idéia de fazer terapia ainda assusta as pessoas de modo geral.Mas vá ainda que seja para ficar em silêncio,nós psicoterapeutas somos preparadops inclusive para lidar com isso.Aos pouquinhos vc se vincula ao profissional e aí tudo fica mais fácil ,entendo essa sensação de paralisia e dificuldade de buscar ajuda,mas isso é preciso,pois assim vc não fica girando só em torno do problema e dificuldade!
Boa sorte abraços afetuosos Renata T.

Anônimo disse...

Oi Lyara querida,
Que bom que deu notícias.
Tenha carinho com você mesma, seja paciente. Pense em você como uma criança, lembra quando você era criança? O que você faria por aquela criança? Se ela estivesse precisando de colo, de ajuda, vc daria, não é?
Tenha paciência com vc ... sei o quanto é difícil, sinto muitas das coisas que você sente, sou border. O medo é avassalador. Mas veja o comentário da Renata, que achei muito enriquecedor ela comentar aqui no blog da wally pra quem nunca foi a um psicoterapeuta ter o ponto de vista de um psi. São pessoas preparadas, acolhedoras, afetuosas.
Vc indo a um psi vai sentir se existe empatia sua com o profissional. Se houver, mesmo vc ficando em silêncio, vai estar bem. E eles estão preparados pra isso. É importante vc poder ter alguém com quem possa falar de vc ou não, ter um lugar que será um espaço pra você. Se caso não houver empatia, vc procura outro. É como ocorre quando procuramos um médico. Se vamos a um e não gostamos, procuramos outro, até mesmo depois da primeira consulta. É importante vc estar com alguém de quem simpatizou.
Eu já fui em alguns, pois faço terapia faz uns anos e posso te dizer que com a ajuda de um psi e da medicação correta nossa vida se torna mais estável.
Pense com carinho e não deixe a idéia de se ajudar desaparecer.
Beijos,
Maria

Anônimo disse...

Oi Pati,
Quantos anos tem seu marido? Vc disse que seu marido não aceita muito a idéia de ir a um psi. Vc sugeriu isso a ele de que maneira?
Vc deve estar passando por uma situação muito complicada ... Vc tem vontade de trabalhar, de se manter sozinha?
Beijos,
Maria

Anônimo disse...

Sou borderline, descobri agora eu cometi o maior erro da minha vida dividindo isso com meu "companheiro", porque a partir disso parei de ser respeitada, sou tratada como louca, nunca tenho razão de nada, e antes os mesmos comportamentos causavam admiração nessa pessoa. Agora vão me dizer que eu me sinto abandonada? Eu fui abandonada! Porque as pessoas são más e egoistas. Como um tratamento vai melhorar isso? Vai me deixar no minimo mais estupida a ponto de aceitar pessoas que me pisam.. mas eu estarei vendo isso, e terei que me convencer que é loucura minha? impossivel. NUNCA VOU VIVER EM PAZ COM NGM.

Reflexões Borderline disse...

Sim, um tratamento melhora e sabe porque? Porque você vai aprender aos poucos a viver em paz CONSIGO MESMA!! Quer coisa melhor e mais produtiva? Adianta viver em paz com os outros se não existe paz em nós mesmos? O tratamento traz a aceitação própria, e com ela, a paz.
Não podemos desistir de nós mesmos! Não é justo!

Anônimo disse...

Concordo com a Wally!
O tratamento é fundamental. Te traz um entendimento de si mesma, um autoconhecimento.
Uma pergunta ... você descobriu com a ajuda de um profissional? você já pensou em levar seu companheiro ao profissional com vc? Talvez ele entendendo melhor como o transtorno a postura dele frente a isso muda. É preciso entendimento e orientação antes de mais nada.
Beijos
Maria Roberta

Tay disse...

Voltei aqui.
Esse namorado? Terminamos. A culpa não é dele. E ele quer voltar, mas eu não quero e nem sei por que.
Mas quando terminamos e ele não queria mais, me disse que não conseguia viver nessa montanha russa, que não queria viver nessa adrenalina, porque eu um dia tava toda carinhosa e no outro, não queria ver, queria matar ele.
Terminamos porque não estavamos bem, e ele me pediu em casamento. Eu não aceitei e me assustei, me afastei com medo. Culpa minha.

Wally Osvanilda disse...

Tay, acho muito normal você se assustar com um pedido de casamento.
Você é bem jovem.
Não é preciso ter TPB pra ter essa reação.
Mas entendo que as oscilações de humor atrapalham bastante qualquer tipo de relacionamento, principalmente o amoroso. Isso é fato.

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