Agora, mais consciente e estudando profundamente nosso distúrbio, após várias sessões de terapia, pude voltar no tempo, lá para o passado e resgatar memórias que eu insistia em esquecê-las.
Mas, através de fórceps, em meio a muita dor, veio a tona a minha infância.
Triste infância. Fui um menino muito triste, reprimido. Filho de Coronel do Exército e de uma mãe extremamente controladora e possessiva.
Os meus sentimentos em relação a ela são muito confusos. Ora a amo, ora a odeio. Os meus pais se separaram quando eu estava com quatro anos e ele partiu sem despedidas.
Foi tudo muito traumatizante. Lembro-me, que deixou em cima da minha cama um antigo boneco Falcon e quase não tive contato com ele.
Minha infância foi no mínimo pertubadora, solitária e minha mãe tem para comigo uma possessividade doentia e quase sempre, destroía os meus relacionamentos.
Fui ignorado por meu pai, que até hoje não gosta de mim. Reconstruiu sua vida ao lado de uma nova mulher e tem dois jovens filhos.
Já minha mãe, viúva, vive em outro Estado, mas me liga de seis a dez vezes por dia. Estou em terapia, aprendendo a lidar com essa mulher ameaçadora.
E aprender a me defender diante dela. Porque apesar de ser um homem maduro, diante dela, sou ainda aquele pequeno garoto frágil e amedontrado.
A negligência, o excesso de controle... os maus-tratos me tornaram um borderline.
Parabéns pela matéria.
Parabéns pela matéria.
Abraços,
"Ricardo"
















