Translate

Mostrando postagens com marcador Transtorno Borderline. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Transtorno Borderline. Mostrar todas as postagens

24/04/2013

Estudo Sobre o Transtorno de Personalidade Borderline

BORDERLINE
Por: André Lacerda - Psicanalista
Clínica Psicanalítica Ltda-
Rua dos Andradas 904 - conj 33 P.Alegre

Ultimamente uma patologia que vem acometendo nossos jovens é o que tem sido chamado de Transtorno Borderline de Personalidade. 

Borderline vêm do inglês limítrofe e assim, significa algo que está no limite entre duas coisas que nesse caso é a neurose e a psicose. O termo já causou grande polêmica sendo que alguns teóricos e pesquisadores são contra o uso da denominação porque consideram-na ambígua.

Outros acham que tais pacientes deveriam ser classificados como psicóticos. Mas se partirmos das questões de ordem prática, não poderíamos deixar de dizer que qualquer dos transtornos mentais que surgem na clínica prática, são na verdade, um coquetel de traços encontrados em muitas patologias. Ás vezes você encontra sinais de quase todas as principais patologias presentes no quadro de um único paciente.

Curiosamente, como veremos mais à frente, o Transtorno de Personalidade Borderline é um Transtorno onde se consegue estabelecer um diagnóstico mais preciso justamente porque há uma característica determinante no diagnóstico: os micros surtos psicóticos. Mas de uma forma geral você vai perceber que muitos dos traços encontrados no borderline, são absolutamente semelhantes aos traços encontrados nos paciente com Transtorno Narcísico da Personalidade sendo que, a diferença se estabelece unicamente pela forma de obtenção das provisões narcísicas que no borderline é a atenção incondicional do outro.

Como resultado de inúmeras pesquisas feitas a partir dos trabalhos de colegas ao redor do mundo, reuni aqui um razoável número de informação sobre os pacientes Borderline, para que tanto os colegas como os leigos possam ter uma idéia do significado dessa patologia, e seus efeitos na vida daqueles que são por ela vitimados. Talvez algumas pessoas possam, através das informações, buscar a ajuda se não para livrarem-se completamente da patologia, pelo menos para atenuar aqueles traços mais ruins e que impedem um adequado relacionamento com a vida.

Farei a apresentação desses dados em duas etapas. Na primeira faremos uma descrição mais sucinta, com orientações sobre como reconhecer esse tipo de Transtorno e, numa segunda etapa, explicaremos mais detalhadamente os aspectos que consideramos importantes nos traços predominantes dessa patologia.

O PADRÃO COMPORTAMENTAL

Existem seis padrões comportamentais que identificam um paciente Borderline ou o TPB - Transtorno de Personalidade Borderline:

1. VULNERABILIDADE EMOCIONAL

Os indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline têm dificuldades severas de lidar com emoções negativas, incluindo-se ai uma exacerbada sensibilidade para estímulos emocionais negativos, grande angústia diante de situações emocionalmente intensas e uma séria dificuldade para retornar às condições emocionais normais.

2. AUTO ANULAÇÃO

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline têm altos padrões de expectativas para si próprios e uma tendência a invalidar ou não reconhecer suas próprias respostas emocionais, pensamentos, convicções, e comportamentos.

3. CRISES E MANIPULAÇÕES

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline sempre estão envolvidos em comportamentos manipulatório suicida, ou seja, são comportamentos que normalmente simulam o suicídio mas não o levam a cabo. São movimento não fatais, auto agressões intencionais que resultam em algum tipo de ferimento corporal, auto-mutilação ou queimaduras que o indivíduo infringe a si mesmo. Geralmente o desejo de morrer é nulo ou se existe é frágil.

4. AFLIÇÃO INIBIDA

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline geralmente são incapazes de chorar ou expressar uma grande tristeza de forma apropriada.

5. PASSIVIDADE ATIVA

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline não conseguem solucionar os problemas de sua própria vida de maneira ativa e assim procuram fazer com que os problemas sejam solucionados por outras pessoas.

6. COMPETÊNCIA APARENTE

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline sempre parecem mais competentes do que realmente são ou do que mostram seus comportamentos e realizações.

ENTREVISTA DIAGNÓSTICA COM PACIENTES BORDERLINES.

Geralmente numa entrevista com um paciente borderline devemos estar atentos aos seguintes aspectos:

1. Afetos (aspectos subjetivos)

Depressão crônica (que eles sempre negam*), desesperança, desamparo, sentimento de inutilidade, culpa, raiva (incluindo freqüentes expressões de raiva aberta ou velada), ansiedade, isolamento, tédio e sentimento de vazio.

2. Cognição (raciocínio/Intelectual)

Pensamentos estranhos, percepções não usuais, paranóia que não é passível de ser descrita e micro surtos psicóticos.

3. Impulsividade (comportamental)

Adição de drogas, desvios sexuais, suicídio manipulativo, gestos suicidas e outros comportamentos impulsivos como cleptomania e abuso alimentar. Muitos dos casos de Compulsão Sexual podem estar inseridos nesse tipo de Transtorno já que o sexo pode funcionar como uma adição importante na obtenção de contato com o outro.

4. Relações Interpessoais

Intolerância para solidão, abandono, engolfamento (no sentido de envolver o outro completamente), medos de aniquilação e fantasias de destruição, relacionamentos tempestuosos, manipulação, dependência, desvalorização, sadismo/masoquismo, demandas excessivas, auto intitulação (tentativa de parecer mais importante do que realmente é).

CRENÇAS CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS COM ESSE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE.

Geralmente é importante que algumas perguntas fundamentais sejam respondidas na entrevista com o borderline. Muitos deles são hábeis no sentido de terem aprendido a dissimular alguns padrões comportamentais. Geralmente, nas entrevistas, observo tanto a linguagem corporal como também as linguagens, verbal e paraverbal. Abaixo eu fixo um tipo de roteiro que eu utilizo como referência e que foi acrescido de informações obtidas na experiência de outros colegas. Tais dados são fundamentais para definir com alguma clareza o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline. Muitas dessas declarações são observadas durante as entrevistas com esse tipo de paciente.

1. Eu sempre vou estar só. Nesse caso observa-se uma crença fortemente arraigada de que eles não tem meios de conseguir afetividade e nem mesmo um vínculo legitimo e duradouro com outras pessoas significativas. Mesmo quando esse vínculo ocorre, tal paciente não crêm que o outro possa vincular-se a ele;

2. Eu não acredito que alguém possa cuidar de mim com sinceridade ou que alguém esteja realmente disponível para ajudar-me.

3. Quando as pessoas me conhecerem de verdade, elas me rejeitarão e dessa forma, não poderão me amar e assim, vão me abandonar.

4. Tenho dificuldade de dar conta da vida por meus próprios meios. Eu sempre preciso de alguém por perto.

5. Geralmente eu tenho que adaptar minhas necessidades às necessidades de outras pessoas. Caso eu não faça isso elas poderão me abandonar ou atacar-me.

6. Não tenho controle sobre mim mesmo.

7. Não consigo ter disciplina comigo mesmo.

8. Se você me perguntar sobre minhas reais preferências, eu realmente não sei o que eu quero.

9. Prefiro que as demais pessoas tomem decisões, pois, nunca sei quando de fato estou certo. È muito confuso e eu estou sempre em dúvida quanto às minhas opiniões.

10. Preciso ter um completo domínio sobre meus sentimentos senão as coisas não sairão bem como deveriam sair.

11. Sinto-me uma pessoa má e eu devo ser punido por isso.

12. Se alguém falhar em manter uma promessa que feita para mim, essas pessoa já não terá mais a minha confiança.

13. Eu nunca vou ter o que eu quero ou desejo. Nem alimento ilusões quanto a isto.

14. Meus sentimentos ou opiniões são sem pé nem cabeça, não acho que possa fundamentá-las de forma coerente.

15. Se eu concordar com as coisas que algumas pessoas falam, Corro o risco de perder minha própria autonomia.

16. Se eu me recuso a atender um pedido de outra pessoa , corro o risco de perder a amizade dela.

17. Se disser o que eu quero, as pessoas vão ficar aborrecidas comigo.

18. As pessoas são más e tendem a abusar de você.

19. Eu sou impotente e vulnerável e dessa forma, não posso proteger a mim mesmo.

20. Se as pessoas realmente me conhecerem, quero dizer, conhecer a fundo, elas vão ver que sou um fracasso, um embuste e assim, vão me abandonar.

21. As outras pessoas não estão dispostas a ajudar ninguém sinceramente.

22. Há sempre uma sensação de que se você se deixa levar, acreditar em alguém e, nesses casos, você vai acabar ferido, decepcionado.

31/07/2012

Borderline - O Narciso Polissintomático

Kernberg e col. (Apud. Dal’Pizol, et. al., 2003) descrevem o funcionamento psicodinâmico borderline a partir de três critérios: difusão de identidade; nível de operações defensivas e capacidade de teste de realidade.

A difusão de identidade caracteriza-se como falta de integração do conceito de self e de outros significativos. 

Ela mostra-se na experiência subjetiva do paciente como sensação de vazio crônico, contradição nas percepções sobre si e em atitudes contraditórias.

Os mecanismos de defesa do ego mais utilizados são as defesas primitivas, centradas no mecanismo de clivagem

Para proteger o ego do conflito, recorrem à idealização primitiva, identificação projetiva, denegação, controle onipotente e desvalorização.

Os portadores TP Borderline mantêm a capacidade de teste de realidade, mas possuem alterações na sua relação com a realidade: a realidade é adequadamente avaliada, mas o comportamento é inapropriado e incoerente com a avaliação da realidade.

Segundo Bergeret (2006) os estados-limítrofes se acham circunscritos economicamente como organizações autônomas e distintas, ao mesmo tempo das neuroses e das psicoses. 

O autor lembra que Freud ao introduzir o conceito de narcisismo, destacado o papel do Ideal do Ego, feito a descrição da escolha anaclítica de objeto e a descoberta do papel desempenhado pelas frustrações afetivas da criança, reconhece a existência de um tipo libidinal “narcisista” sem um Superego completamente constituído, onde o essencial do conflito pós-edipiano não se situa em uma oposição entre o ego e o superego, uma fragmentação do ego se apresenta como intermediária, justamente entre a fragmentação psicótica e o conflito neurótico. 

Em seus últimos trabalhos Freud descreve os mecanismos da clivagem e da recusa e faz alusão a um tipo “narcisista” de personalidade.

Nos arranjos-limítrofes o ego em formação consegue ultrapassar o momento em que as frustrações da primeira idade teriam podido operar fixações pré-psicóticas tenazes e desagradáveis, não regredindo a essas fixações

Entretanto no momento em que se dava a evolução edipiana normal esses sujeitos sofreram um trauma psíquico importante. É um trauma afetivo que corresponde a uma “comoção pulsional”, ocorrida em um momento em que o ego ainda está não-organizado e demasiado imaturo no plano do equipamento, da adaptação e das defesas. 

O Ego imaturo busca então, integrar essa experiência (o trauma psíquico) as outras experiências do momento e interpreta essa percepção como uma frustração e uma ameaça à sua integridade narcísica

Bergeret (2006) localiza o estado-limítrofe como uma doença do narcisismo. O ego não consegue aceder a uma relação de objeto genital, no nível dos conflitos entre Id e Superego. 

A relação de objeto fica centrada em uma dependência anaclítica do outro. E o limítrofe fica se defendendo contra o perigo imediato da depressão, sofre de uma angústia de perda de objeto e de depressão e centra seus investimentos na relação de dependência em relação ao outro

A relação de objeto é uma relação a dois, onde trata-se de ser amado pelo outro, o forte, o grande, estando ao mesmo tempo separado dele como objeto distinto, mas ao mesmo tempo “apoiando-se contra ele” (anaclitismo).

Zimerman (2004) nomeia-os como portadores de uma “neurose polissintomática”, onde esses pacientes recobrem suas intensas angústias depressivas e paranóides com uma fachada de sintomas ou de traços caracteriológicos, de fobias diversas, manifestações obsessivo-compulsivas, histéricas, narcisistas, somatizadoras, perversas, etc. todas podendo ser concomitantes ou alternantes. Em casos avançados podem aparecer manifestações pré-psicóticas.

Zimerman (2004) destaca que no borderline a presença de sintomas de estranheza (em relação ao meio ambiente exterior) e de despersonalização (estranheza em relação a si próprio) estão intimamente ligados ao fato de que essas pessoas apresentam um transtorno do sentimento de identidade, o qual consiste no fato de que não existe uma integração dos diferentes aspectos de sua personalidade, e essa “não integração” resulta numa dificuldade que esse tipo de paciente tem de transmitir uma imagem integrada, coerente e consistente de si próprio. 

Zimerman destaca que esse tipo de estado mental decorre do fato de o borderline fazer uso excessivo da defesa da clivagem (dissociação) dos diferentes aspectos de seu psiquismo, que permanecem contraditórios ou em oposição entre si, de modo que ele se organiza como uma pessoa ambígua, instável e compartimentada. Tendem a sentir uma ansiedade difusa e uma sensação de vazio.

Segundo Pizol, Lima et. al. (2003) as características estruturais secundárias desta organização de personalidade como manifestações de fraqueza egóica, patologias do superego e relações objetais cronicamente caóticas seriam consequências diretas da difusão de identidade e do predomínio de operações defensivas imaturas.

Como deve ser o tratamento psicoterápico

As dificuldades enfrentadas pelo paciente borderline são muito amplas, são pessoas severamente disfuncionais; podem psicotizar numa situação de estresse; e no processo terapêutico podem regredir facilmente em resposta à sua falta de estrutura ou interromper as psicoterapias tempestuosa e impulsivamente. É preciso lidar ainda com as ameaças constantes e o risco suicida e possíveis necessidades de internação.

O borderline não é capaz de suportar grande quantidade de ansiedade. Segundo Vieira Junior (1998) a psicoterapia deve privilegiar uma abordagem mais relacional do que transferencial, mais ativa e expressiva do que passiva e expectante, mais suportiva que geradora de ansiedade.

Romaro (2002) destaca que um dos problemas no manejo terapêutico é a intensa agressão que se expressa na relação transferencial e que exige que o terapeuta possa conter, tolerar e compreender essas reações, sem agir de forma retaliatória e sem sentir sua identidade ameaçada. O impasse é transformar o comportamento destrutivo em uma específica constelação transferencial.

Na abordagem terapêutica é importante o estabelecimento de parâmetros e limites claros que norteiem o tratamento, maior atividade verbal do que geralmente se aplicaria no tratamento de outros pacientes, maior tolerância a comportamentos hostis, desestímulo a atuações e privilégio do aqui e agora em detrimento de análises de reminiscências (Vieira Junior, 1998).

O estabelecimento da aliança terapêutica é algo particularmente difícil, devido à alta probabilidade de ocorrência de acting-out, com manifestações transferenciais e contratransferenciais intensas exigindo que o terapeuta seja ativo, flexível e continente.

As terapias devem auxiliar o sujeito a encontrar formas mais adaptativa para enfrentamento de suas dificuldades e conflitos, ajudar a controlar o acting e os sintomas que causam sofrimentos e conflitos. 

É preciso considerar a heterogeneidade dos sintomas e as comorbidades

O borderline não é uma categoria homogênea, engloba sinais e sintomas diversos, além de diferentes níveis de adaptação e regressão.





02/05/2012

A Diferença entre TAB & TPB

Em um grupo de psicologia no Facebook alguém me perguntou sobre a diferença entre a bipolaridade e o transtorno borderline. Achei que minha resposta também poderia ser compartilhada aqui:

Embora os sintomas do TB e do TPB sejam parecidos e confundam os médicos e terapeutas, os transtornos em si não tem nada a ver. 

O TB (Bipolaridade) é um transtorno psicológico, e é considerado uma psicose, enquanto que o TPB (Borderline) é um transtorno de personalidade, um distúrbio de conduta , e transita entre a neurose e a psicose e por isso recebe também o nome de fronteiriço. 

Falando dos sintomas, a principal diferença é a frequência com que o humor oscila

No TB o humor permanece inalterado durante dias, as vezes até semanas. Já no TPB a oscilação do humor ocorre de forma espantosamente rápida! Em poucos segundos o borderline passa de feliz para triste e vice-versa.

O problema é quando há uma comorbidade patogênica. Daí sim o diagnóstico certeiro fica ainda mais difícil de ser conquistado. 

Muito frequentemente um transtorno de personalidade ou um transtorno psicológico vem acompanhado de uma outra patologia o que dificulta chegar até um diagnóstico conclusivo.
Wally

19/01/2012

O DNA do Borderline é Diferente

Uma pesquisa realizada por cientistas de Genebra concluiu que os maus-tratos na infância podem modificar genes que controlam o stress na vida adulta e desenvolver de doenças.

No estudo participaram 101 adultos, todos vítimas de transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como “borderline”.

A equipe de pesquisadores observou uma percentagem significativamente superior de modificação genética no DNA em indivíduos que tinham sofrido maus-tratos, abusos físicos, sexuais e emocionais ou carência afetiva.

As conclusões, publicadas na revista especializada “Translational Psychiatry”, mostram que o stress causado por abusos provoca uma modificação do gene receptor de glucocorticóide que atua sobre o eixo hipotálamo-pituitária-drenal.

Os pesquisadores salientaram que os resultados eram como se os voluntários tivessem sofrido o impacto de outros traumas violentos, como uma catástrofe natural ou um acidente aéreo.

14/09/2011

O Calcanhar de Aquiles do Borderline

(por Maria Roberta)

O humor nos borderlines oscila muito. A instabilidade, a impulsividade, a ansiedade, angústia enfim, emoções no geral são sentidas em lentes de aumento.

A sensação de vazio é algo que também permeia a vida de um indivíduo portador do distúrbio. 
É como se ele não achasse seu lugar no mundo, como se nada fizesse sentido, como se muitas vezes a vida não tivesse cor, fosse cinza, sem motivos ou razões para ser vivida.

Então, ele passa por momentos de uma busca frenética por se encontrar. Seja através de um curso, uma profissão. Seja através de conselhos (que, por vezes, é solicitado de quem esteja próximo) seja através de um amor.

Sim, um amor. O motivo pelo qual a sua vida teria um sentido. Alguém que lhe seria um apoio, uma companhia, que lhe faria especial, que só teria olhos pra ele. E que preencheria a sua existência. E o seu vazio.

Tudo o mais na existência parece ficar pequeno diante de um amor. Esta pessoa que vos escreve crê que tudo realmente fica ínfimo diante da vontade que um border tem em ter um amor. Um amor de verdade, que seja o "cuidador perfeito", que o entenda e que o aceite. Nas suas fragilidades e nas suas fraquezas.

O mundo pára assim que somos vistos por uma possível pessoa que pode ser este amor. Que pode ser o portador de toda a felicidade, as realizações de sonhos e fantasias, de um futuro perfeito, de uma vida cheia de alegrias. De uma existência plena.

O impulso do border faz com que, nesse momento, nada mais exista, a não ser, aquele amor. E pra ele, o border se lança.

Para os que acompanharam a história da cuidadora apaixonada e do Fred, a história perfeita, de devoção e amor perfeitos, ali estava expressa, de maneira real, o que todos sonham para si. Não tenho dúvidas que todos (e muitos assim expressaram em comentários) gostariam de viver algo igual ou, ao menos, parecido.

É o calcanhar de Aquiles do border. Nosso ponto fraco. Abandonamos tudo por uma história de amor.

Precisamos existir aos olhos do outro. Precisamos ser aceitos. Precisamos de apoio. Precisamos ser amados.
Não suportamos não existir. Não suportamos o vazio.

Estar com alguém, de forma amorosa, real (não estou falando de aventuras e casos furtivos mas, sim, de histórias profundas), mostrar-se como se é, por completo e verdadeiramente, traz a tona a alma de cada um.

O border precisa ser visto, precisa ser querido.
Por trás de todo seu medo de ser esquecido, de toda sua natureza de criança assustada, perdida e fragilizada, por trás de seus olhos lacrimejados de sofrimento, existe uma pessoa pronta pra ser tomada nos braços e aceita pelo que ela é.

No entanto, é dentro das histórias de amor que, porventura, pode-se viver as mais complicadas crises.
.
Mergulhados nessas histórias, onde os sentimentos são tão intensos pra quem já não tem um transtorno, imagine para borders que vivem tudo tão intensamente?!
.
Somos atirados de um lado para outro como um barquinho frágil numa tempestade. Se num momento estamos no paraíso, noutro estamos no inferno. Tudo é tremendamente bom e ao mesmo tempo assustadoramente ruim. Devido a instabilidade do TPB nosso humor varia diante das mais diversas situações vividas e nossas emoções nos surpreendem a cada instante.

Sim, é o nosso calcanhar de Aquiles.

Ainda acredito que a possibilidade de tentar lidar com essas situações de maneira mais leve é estar sempre atento a si, através de um tratamento (terapêutico e medicamentoso). 
E atento ao cuidador, que também precisa estar a par do transtorno, das consequencias do mesmo, de como funciona, etc.

Medo? sim, eu sei que dá ... muito.
Temos que aprender a vencê-lo. Devagarinho...

06/09/2011

A Importância do Ambiente onde Vive o Borderline

(por Maria Roberta - leitora do blog)

O tratamento para o transtorno de personalidade borderline deve contar com 3 fatores: medicamentoso, terapêutico e ambiente favorável.

Um ambiente favorável siginifica que o ambiente que o border está não deve gerar a ele stress, alterações de humor, não deve ser dominado por discussões ou brigas. 

O border fica mais estável quando o ambiente está mais estável, fica mais tranquilo quando o ambiente está mais tranquilo

Por isso, é muito importante que a família participe do tratamento - o que siginifica ir, quando solicitada, às terapias, por exemplo.

É muito importante que todos estejam cientes do tratamento, border, familiares e que todos estejam engajados na melhora do paciente.

As vezes, morar com familiares gera muito stress ao border e ele tem condições de morar sozinho.

E, de repente, sozinho consegue ficar mais calmo, consegue fazer suas coisas, não ter brigas e, portanto, fazendo seu tratamento, consegue alcançar sua qualidade de vida.

As vezes, morando com sua familia, vive um nivel alto de stress. Mas, a partir do momento que todos o acompanham na terapia, a dinamica da familia muda e o ambiente passa a ficar mais calmo, mais tranquilo e o border pode seguir com seu tratamento e melhorar.

Mesmo com a medicação acertada e uma terapia correta, se o ambiente não for propício, a melhora do border pode ser mais lenta ou mais difícil.

É imprescindivel termos consciência de quais recursos temos para podermos melhorar. E nos mantermos bem!

Já não é fácil diante de tantas variáveis que temos que lidar. 
.
Quanto mais claro for quais são elas, melhor para nossa saúde.

29/08/2011

Instabilidade Afetiva Borderline

por Maria Roberta
(leitora do blog)

O transtorno de personalidade borderline traz duas características marcantes que são a instabilidade e a impulsividade.
.
Borders costumam ser inconstantes nas suas escolhas, decisões, opções. E são, também, bastante impulsivos.

Por exemplo, com grande empolgação, decidem fazer um curso, certos de que aquilo é o que mais querem na vida. 

Iniciam-no com grande dedicação mas pouco tempo depois, enjoam-se dele e o abandonam. Ou mesmo aparentemente interessados pelo curso, ouvem falar de um segundo curso e, passam a acreditar que esse sim é aquilo que procuravam. 

Abandonam o primeiro (que perde totalmente a graça) e embarcam-se apaixonadamente nesse segundo curso certos de que agora sim, encontraram seu lugar. 

Novamente o ciclo se repete e o curso em andamento acaba perdendo sentido e é abandonado por terem pesquisado por um terceiro curso, por terem ouvido falar de um quarto curso, ou pela possibilidade de agora, sim, um quinto ser o que realmente tem o que buscam... 
Como podemos ver nessa postagem aqui sobre a Inconstância Borderline

Essa instabilidade acontece com coisas mais simples e cotidianas como quando lêem um livro, assistem um DVD, fazem alguma atividade corriqueira.

E, acontece também com relacionamentos afetivos.

O comportamento de buscar vários parceiros(as) vem dessa mesma instabilidade e impulsividade, somados. Está associado ao não saber o que se quer, do que se gosta, o que o preenche, o que faz sentido para si mesmo. 

Está ligado a falta de um ego bem estruturado, bem constituído que acaba levando ao vazio, a um buraco, a sensação de inexistência.

O border está namorando mas, pela sua instabilidade, o relacionamento começa a ficar sem graça. Uma terceira pessoa, então, parece trazer para ele o que ele precisa. 
.
Parece oferecer a ele apoio, companhia, alegria, diversão; enfim, tudo aquilo o que atual relacionamento parece não ter mais. 

Dessa maneira, ele sente-se empolgado por essa terceira pessoa e o(a) atual parceiro(a) passa a não ter importância. Impulsivamente ele abandona o namoro e parte pra nova relação. 

Mas logo a terceira pessoa não o preenche mais e ele pula para uma quarta pessoa. E para uma outra. E outra. E, de repente, ele lembra-se da pessoa com quem namorava. E acredita que ela, sim, tinha o que o preenchia. E volta para ela. Mas assim que ela parece não mais o preencher, o ciclo recomeça.

Essa mudança constante de parceiros(as) não é uma atitude maldosa do border. É uma tentativa de encontrar-se. Uma tentativa muito sofrida para si e para todos que estão envolvidos no processo. 

Ele busca livrar-se do vazio que o invade, da falta de sentido que assombra sua existência e, para isso, age. 
Só que dessa maneira, atinge a si e aos que estão ao seu redor. 

Entenda melhor tal comportamento lendo um pequeno trecho do livro "Stop Walking on Eggshells" que aborda muito bem esse assunto da Instabilidade Borderline.

Por isso é tão importante que o border faça tratamento. É necessário que ele fique consciente dessa dinâmica, do seu comportamento, da sua instabilidade, da sua impulsividade.

Estar acompanhado de um profissional ajuda-o a esclarecer esses momentos nos quais o que o governa são o vazio, o medo, o sentimento de inexistência, a instabilidade, a impulsividade, a sensação de rejeição e abandono.

Esse esclarecimento possibilita-o poder ter uma nova resposta para cada uma dessas sensações e pode levá-lo a uma vida diferente da qual ele possa estar vivendo.

15/08/2011

Novo Livro sobre o TPB - Alta Sensibilidade Emocional


Helena Polak se consagrou uma das best-sellers do Clube de Autores com uma temática singular: o Transtorno de Personalidade Borderline.

O seu primeiro título, Sensibilidade à Flor da Pele, já virou referência no mercado pela abordagem: Helena narra um aprendizado e visão de quem convive com o borderline na família. 

Ela fala sobre a aceitação do transtorno e principalmente sobre como lidar com quem o tem.

Seguindo a mesma temática, o novo livro Alta Sensibilidade Emocional contém dicas práticas para melhorar a qualidade de vida de quem está sofrendo com sua alta sensibilidade emocional – uma espécie de complemento ao primeiro título.


Eu ainda não terminei de ler o livro mas posso dizer que o livro é excelente porque além da informação contida a respeito do TPB, contém dicas valiosas de como entender as emoções, controlar a impulsividade, aprender a conviver melhor socialmente, entre outras.

E também reúne alguns depoimentos e lista as abordagens terapêuticas.

Em suma: Não deixem de ler!!
Wally

Visitas Recentes

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...