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12/02/2013

Lunática


Bem como a Lua
Tenho 4 fases
Quando Cheia, sou inteira
À mingua, sou Minguante
Nova, apaixonada

Viva, Crescente
Sou Noturna, pois as estrelas
contemplam minhas fases
Sou feito um Noturno de Chopin

Estou Minguante
Mas estrelas me lembram
Que outras fases vêm
E que um cometa
me fecundará
na explosão que transformará
as 4 fases numa única

Lunática,
Lunar...

02/10/2012

Confu-São

Sentimentos confusos? 
Me atormentam a todo instante... 
Pensamentos indistintos? 
Me torturam a todo momento... 
Tento afogá-los no trabalho.
Distrai-los com as ocupações diárias...
Mas tem hora que simplesmente não dá... 
Eles imploram por minha atenção 
E mendigam por minha afeição. 
E lá vou eu... 
Distribuir um pouco de solidão... 
                                    Wally

11/10/2011

Metades

por Eduardo Baszczyn

Porque, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim. Há muito, eu me confundo.

Porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. Olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. Segurando forte. Espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso.

Metade prefere brincar na beira da praia. No raso. Enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. Sobre o possível afogamento.

Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim.
Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo.

Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade.

Há muito, eu erro a mão. A dose. Me confundo com o que devo usar. Porque metade briga. Explode. Dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro.
Metade berra. Outra sussurra.

Tenho uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado.

Tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade.
Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha.
Metade auto-suficiente.

Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco.
Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria.

Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis.

Metades que me fazem sofrer nessa luta diária.
No não deixar que uma mate a outra.

04/06/2011

Vazio




Úmido, frio, impetuoso
Invade-me, tortura-me
Mata-me

Em noites calmas, frias. 
Em dias agitados, quentes
Ele chega
Agarra-me

Impiedosamente arranca-me, 
rapta-me, faz-me prisioneira
Sufoca-me, cala-me, corta-me
Ah, como pode...

Esse vazio que ocupa tanto espaço
Esse vazio que ocupa todo o espaço
Ironicamente sorri, tortura-me

O nada é tudo o que eu tenho
Um corpo sem alma, 
sem sombra, sem reflexo
Ah, como pode...

Por que choras, pequena garota? 
Tristeza, medo, cólera?
Não, não
É apenas o vazio
(Bia)

14/05/2011

Abandono...


Já não me aceitam mais...
Já não me podem perdoar
É como se eu 
exalasse um odor forte
Ninguém me quer
nem mesmo a morte.

Me abandonaram...
deram-me as costas
O ar
cheira a solidão
E o vento
traz o ódio que
em cada um
jaz no coração

Me abandonaram...
Me largaram à escuridão
Me expulsaram,
não há perdão.

Me repelem
como à um inseto
capaz de causar-lhes mal
Não notam no espelho
as moscas que são, apesar!...

E sem saber
ferem-se a si próprios
com o inseticida
que usam
para me afastar...

21/04/2011

Desgaste

Não sei se é o tempo, o medo, o desânimo...
Não sei se é descaso do destino
Só sei que ando desgastada.
Por fora e, mais ainda por dentro.

Não sei se a culpa é das longas noites insones
Ou se ainda das madrugadas tempestuosas
Só sei que o desgaste me consome
De dentro para fora e de fora para dentro.

Não sei se é a dor de não saber quem sou
Ou a angústia ao ver o que sou
Só sei que a vida tem me desgastado
Ao me mostrar de fora o que há por dentro...

01/03/2011

O Homem

Um homem que chega
como um homem qualquer
mas na verdade
não é um homem...
Não é um homem
nem anjo,
sequer!...

É
um deus!...
um deus fracassado
travestido de
homem
Um homem-deus
um
deus-homem
querido e desejado...
...abrigo
de mulher

Ou
seria um homem 
vestido de deus
Um
homem-homem
... mas também deus??

Um homem
com uma
alma limpa
coroada pela beleza
e pela
honra

Sim!...

Um homem!

E não
uma mulher
que por mais pura
que seja
abriga no seio
ainda que escondido
um
não-sei-quê
de corrompido
uma podridão
qualquer...

Um homem,
                    sim...

O
    "meu"
                  homem...

Ainda que só exista
          na minha imaginação
              de mulher...
Wally elsissy

27/02/2011

Ser ou Não Ser... eis a Questão!

Ah!...
Quem me dera
tê-la em meus braços
e a embalar
ao som
de uma cantiga de ninar
que os deuses não
conheceram
nem quiseram
entoar

E agora
seres imundos
quem vocês são?
Por que não 
semear a paz
no mundo
e  obtê-la ao
coração?


Ah!...
Quem me dera
ser o que sou
e não o que não sou
porque os deuses
seres impuros
não são o que são
e são o que não são
e eles nada mais
são
do que uma

cria-ação!

"Ser ou não ser..."
eis a confusão!

Wally elsissy
(Poema publicado no Livro Mil Poetas Brasileiros)

20/11/2010

Locu-Som!

Ouço um barulho
dentro de mim...
Um barulho
que não existe...
... mas tem vida!
Um barulho
que acaba...
... sem fim!

São palavras
brigando pela morte...
lutando pela vida...
lutando para fugir
à sepultura
em que
foram atiradas.

Palavras clamando!
Procurando saída...
Procurando 
um réu a quem 
possam julgar e acusar
pelo assassínio 
de uma 
ilusão perdida

E...

... de repente...

Todas olham
em minha direção
E apontam-me
o dedo sórdido
(sem compaixão)
E gritam...
E eis
que suas vozes crescem 
em meus pensamentos...
(Em tom de revolta)
E suas ondas
se expandem em minha 
mente
formando uma corrente
de sentimentos
que me aprisionam
à matéria!

Que som será este
que dilacera 
as coronárias
e encarcera o espírito no barro
e que somente
as almas sádicas 
e imortais podem ver?

Um som 
que não soa
mas ressoa...

Um som
sem som!...
... que não se pode ver
nem ouvir...
apenas sentir...

Locu-Som!
(Wally elsissy)

15/11/2010

Des-Esperança

Olho para
minhas mãos
e o que vejo?

Sangue!

Olho para
meus pés
e o que vejo?

Brasas!

Porque o pecado   
me manchou a carne...

E a solidão
              me queimou o coração!...

O furor 
me pisou a alma
comeu-lhe a cabeça
e saciou-se
com seu sangue.

Agora
"minha alma está
           pegada ao pó"...
                      sem sorte

E a única
esperança que 
tenho na vida
me queima as mãos:

A Morte!
(Wally elsissy)

13/11/2010

Caminho da Morte

Sou uma viajante
solitária
Caminho num mundo 
sem saída
Onde
as almas se confundem
e clamam 
por guarida

Mas todos
estão dormindo e
ignoram o seu balir...
não pensam...
   não ouvem...
             não sabem e 
              nem querem ouvir...

Tornam-se 
estátuas frias...
           imagens sufocadas...
                miragens vazias... 
que se confundem
na imaginação estrangulada 
da Vida!

E eu continuo
 minha viagem
não possuo comigo bagagem...
carrego apenas
um coração moído
cheio de dor...
... de decepção...
Um coração ferido!
Carrego apenas
pensamentos pesados
que me pendem a cabeça
e me obrigam
a olhar para 
baixo com enfado.

E eis o que vejo:

Um chão onde as pedras
ferem meus pés
já cansados
E onde
a dor aflige
meu espírito
e o faz vacilar errático
Tornando-o
numa matéria cinzenta
sem forma definida
que suborna a verdade
para comprar
ilusões perdidas!

Quero parar...
          ... e descansar...
       (Ou seria desistir?)

Mas o caminho
é longo
e no fim um ser 
me espera sem demora
para abrir-me a porta.

O seu nome?

MORTE!!
(Wally elsissy)

11/11/2010

(In)Compreensão

Você diz 
que me compreende
mas ignora
minha incompreensão!
Você diz
que ama minha alma
mas tenho também
uma mente...
um corpo...
um coração...
Deixe-me embalar
no silêncio da tua voz
e caminhar descalça
sobre as palavras
que emergem
de teus lábios
para absorvê-las
nas palmas
de minhas mãos


Então...

Assim talvez
eu compreenda
o que está oculto
na visível razão 
(invisível?)
e que tanto molesta
este órgão
que trago acorrentado
no peito:

O Coração!
(Wally elsissy)

03/11/2010

Solidão

Ah!...
Quisera eu me transformar
em uma lágrima
Para rolar
silenciosa pelas faces
da VIDA

desfazer-me
sem reclamar...
sem lamentar a ilusão
perdida.

Porque agora,
Agora pela dor estou 
consumida

Eu
     SOU
        a 
                       DOR!

Eu sou a VIDA!

A vida morta...
                   ... esquecida.

Coração 
destruído
           pela dor 
e decepção...
... pela vida 
                   iludida.

Quando 
se fundem
a dor e a decepção
só um
é o resultado:

Solidão!

Estou perdida!

Continuo me enganando
Continuo acreditando
 no NÃO...
                    ... na ilusão
                                         da vida.

Até Quando???

Solidão...
(Wally elsissy)

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