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14/08/2012

A Psicanálise e Eu: O Mergulho no Inconsciente


"Como está a água?" perguntou o pai.
"Está gostosa", respondeu.
"Então, daqui pra frente,
quando você quiser saber alguma coisa, 
mergulhe nela".
(P.C)


Dizem que o mergulho nos conduz à exploração de um mundo desconhecido.

À medida que a distância da superfície da água aumenta, um novo mundo totalmente diferente do nosso se descortina.

E não é diferente com a (psic)análise.

E se, por um lado, me tem faltado ocasião de mergulhar nas profundas águas das costas brasileiras, não me tem sido negada a oportunidade de adentrar as águas agitadas do inconsciente.

Para um mergulho seguro, é necessário uma série de equipamentos que possibilitarão tranquilidade e confiança ao mergulhador. Da mesma forma, ao se fazer análise, é preciso fazer uso de certos recursos e macetes oferecidos pelo analista a fim de se realizar um mergulho seguro no autoconhecimento.

Quando o mergulhador se aventura nas águas do mar, ele não vê apenas peixes coloridos. Ele vê também algas e corais. E encontra ainda criaturas de aparência inamistosa. Quanto mais fundo ele mergulha, mais chance de encontrar coisas desconhecidas ele tem. Desde naufrágios históricos e  recifes imaculados até mistérios de criaturas jamais vistas.

É assim também com o mergulho para o autoconhecimento. Quanto mais se penetra no inconsciente, maior a possibilidade de se esbarrar em coisas inusitadas; coisas nem sempre bonitas, e muitas vezes, desagradáveis.

Mas o aprendizado não vem apenas do belo.
A arte está justamente em saber desenvolver-se, independente das circunstâncias.

O mergulho conecta o mergulhador com a natureza, oferecendo uma sensação de liberdade e transformação.
A (psic)análise conecta a pessoa consigo própria, liberta-a das “falsas verdades” que ela própria foi construindo (muitas vezes em sua própria defesa) e transforma para sempre a percepção que se tem da vida.  

Através da (psic)análise se ‘explora e descobre’ o inconsciente, e com esse conhecimento, é possível deixar de ser escravo dos próprios desejos.

Talvez tenha faltado eu dizer o mais importante: a segurança do mergulhador depende principalmente da orientação que ele obtem de seu instrutor. 

Igualmente, a (psic)análise é um mergulho seguro desde que você tenha um “instrutor” bem qualificado e  competente.

Lembre-se: "Quem não se conhece, não sabe do que é capaz!"
Wally

07/06/2012

Por que fazer Análise?

Há duas semanas alguém me perguntou para que servia a análise.

A questão era a seguinte: “Se a pessoa não tem 'nenhum problema', por que ela faria análise? Qual seria a vantagem?”

Vamos refletir...

Em primeiro lugar, será que existe alguém que não tenha nenhuma questão emocional para resolver?

Será que é possível um ser humano passar por tantas fases e chegar na vida adulta sem nenhuma emoção reprimida?

Acho que já sabemos a resposta.

Além disto, o que é a análise?
Em poucas palavras, a análise é o caminho para o autoconhecimento. 

É através da análise que se ‘explora e descobre’ o inconsciente. E conhecendo o inconsciente, podemos deixar de ser escravos de nossos desejos. 

Não há nada que esteja tão bem que não possa ser melhorado e é exatamente isto o que a análise faz: melhora a qualidade de vida!

Vejamos o que diz Freud, Os dados da consciência apresentam um número muito grande de lacunas. (...) Com frequência ocorrem atos que a consciência não oferece qualquer motivo: seja nas pessoas sadias como atos falhos, sonhos e gostos peculiares, bem como tudo aquilo que é descrito como sintoma psíquico nas pessoas doentes. (...) Em nossa experiência diária, temos ideias que surgem, não sabemos de onde, bem como conclusões intelectuais que alcançamos sem sabermos como.”  (Vol. XIV - Artigos sobre metapsicologia – pag. 172)

Assim concluímos que as pessoas que mais se beneficiam da Psicanálise, são as pessoas sadias, que melhoram sua qualidade de vida, muito mais do que jamais poderiam sem este conhecimento: o conhecimento do inconsciente.

"Quem não se conhece, não sabe do que é capaz!"

10/05/2012

O Espelho & Os Óculos da Psicanálise

Quando se começa a fazer análise, ganha-se duas coisas: um espelho e um par de óculos.

Primeiro você aprende a usar o espelho. Este é um espelho diferente, quase mágico, pois permite que sua visão viaje para além da aparência externa. 

E quando se começa a aprender a manejar esse espelho, é possível enxergar os sentimentos e emoções mais profundos, os pensamentos e desejos mais escondidos...

É um espelho que esquadrinha tudo, pois quebra a barreira do inconsciente e pouco a pouco invade os recôncavos mais complexos da alma.

E então aprende-se a fazer uso dos óculos, pois a visão conquistada até agora é nublada e turva.

Tais óculos servem para ajudar a enxergar o que normalmente não se vê a olho nu.

Rostos são máscaras que usamos no dia a dia. Máscaras que disfarçam e escondem. Com os óculos da psicanálise somos levados a ver o que existe nas profundezas da psiquê.

Os óculos da psicanálise possuem graus diferentes e vai-se adaptando-os de acordo com a necessidade de ver!

Quanto mais você os usa, melhor você enxerga e mais consciente você se torna.

Ora ou outra, enxerga-se coisas desagradáves e até indesejáveis. Mas o fato de serem indesejáveis não significa que não é preciso enxergá-las. Para que a limpeza ocorra é preciso saber onde está a sujeira.

Mas os óculos da psicanálise não mostram apenas manchas, mostram também onde se encontram os apetrechos necessários para realizar a limpeza.

Mostram também que a sujeira é subjetiva e que por detrás de cada mancha há uma bela superfície esperando para ser utilizada de forma nunca antes imaginada.


Wally

29/04/2012

A Dor de Cabeça Sob a Ótica Psicanalítica

Do ponto de vista da psicanálise, dor de cabeça é ódio reprimido. A dor de cabeça, no sentido próprio é uma forma de tirar o foco mental

No ódio, a parte mental e racional, ficam como que procurando uma vingança. Esta forma de pensar é muito destrutiva. E sobrecarrega o sistema psíquico porque uma destrutividade tão forte, só pode ser efetuada por um ser muito forte também. Isto provoca uma inflação do Ego. 

É muita energia concentrada no próprio sujeito. E nisso surge um aspecto sádico-narcisista que tende a um surto psicótico. E o corpo de um Ego, que seja parcialmente saudável não quer isso.
.
Como que sendo uma punição, surgem sensações de mal estar, que o aparelho psíquico provoca, disparando a pituitária, que dispara as glândulas supra renais e liberam na corrente sanguínea, adrenalina e cortisol. Isso acelera o coração e contrai os vasos sanguíneos, o que pode causar um pequeno ferimento em algum capilar, pelo aumento de pressão sanguínea, nas meninges ou próximo do nervo ótico, o que resulta na dor de cabeça, ou enxaqueca. 

Isso explica bem a lateralidade da enxaqueca, ou porque pode durar dias, ou porque é recorrente, quando sua origem pode estar em um conteúdo reprimido no inconsciente desde a infância, ou gestação. 

Claro que fora isso, existem fatores orgânicos que podem ser detectados em exames de imagem. 

Para o psicanalista Groddeck a doença sempre tem um objetivo. 

Assim como Freud colocou que o sintoma é o deslocamento do reprimido, durante a vigília. 

Então, em Groddeck há a afirmação de que se um paciente sofria de dores de cabeça, estas o impediam de refletir e de pensar. 

O objetivo da doença, portanto, deveria ser justamente esse. Entendem? A dor aparece para mascarar o pensamento!!! 

Em Freud, há um aprofundamento colocando a dor de cabeça como um desejo reprimido deslocado. Há um entendimento que o inconsciente é simultaneamente psíquico e somático. 

Goleman nos diz que o estudo confirma que as emoções perturbadoras fazem mal à saúde em certa medida. Descobriu-se que pessoas que sofriam de ansiedade crônica, longos períodos de tristeza e pessimismo, apresentavam doenças como asma, artrite, dores de cabeça, úlceras pépticas e males cardíacos. 

Em um artigo sobre a co-relação da enxaqueca e a psicossomática, li que Johnson e muitos outros psicanalistas deram especial atenção às enxaquecas. Nelas o pano de fundo emocional caracteriza-se por raiva e hostilidade intensas, crônicas e reprimidas, e sua função é proporcionar alguma expressão ao que não pode ser expresso ou mesmo admitido diretamente

As enxaquecas são investidas agressivas ou ataques vingativos e tendem a ocorrer em situações de intensa ambivalência emocional, ou seja, em relação a indivíduos que são ao mesmo tempo amados e odiados. 

Como cita Sacks, as enxaquecas surgem não como expressões de um distúrbio emocional agudo, mas como expressões de necessidades emocionais crônicas e, em geral, reprimidas

Então fica a dica: se você tem dores de cabeça que não sejam de origem orgânica, e quer se livrar delas, não reprima emoções assim, e de preferência, faça análise ;)
Wally W. Martins

29/03/2012

A Filha de Freud Matou Minha Insônia

Deitar na cama e não conseguir encontrar o botão OFF foi uma maldição que me controlou por mais de uma década.

Qualquer pessoa que já teve algum tipo de insônia sabe o terror que é querer dormir e não conseguir. 

É uma tortura psicológica que desencadeia dezenas de outros problemas, tanto mentais quanto emocionais... e inclusive físicos!

E assim eu vivi por quase 20 anos... controlada por uma maldição que então era controlada por drogas. E quando falo de drogas (medicamentos tarja preta), estou falando de drogas poderosas como o famoso Rohypnol, mais conhecido popularmente como Boa Noite Cinderela.

Enfim... depois de todo esse tempo, meu atual psiquiatra finalmente conseguiu arrancar todos os medicamentos que estavam me causando uma dependência drogativa terrível e que já não funcionavam mais, e restituir meu sono com um medicamento que não causa dependência e que passa longe de ser um hipnótico, e que na verdade é um anti-convulsivo.

O problema de tomar esse medicamento é que eu preciso de no mínimo 9 horas de sono! Mesmo que eu tome apenas 3 gotas! E mesmo dormindo por 9 horas, ainda assim durante o dia continuo um pouco sonolenta... nada exagerado, mas o sono continua lá...

Mas claro que pra quem ficava com o botão ON pressionado quase o tempo todo, esse medicamento foi como uma bênção derramada sobre a maldição que vinha me assombrando desde a puberdade.

Mas quem me libertou de fato foi ela, a filha de Freud.
Ao abraçar a psicanálise, os pensamentos psicóticos que não me permitiamdesligar começaram a ser desmontados.

Inicialmente eu precisava realizar um exercício diário utilizando uma Programação Psíquica Positiva, personalizada para mim por meu terapeuta, antes de dormir e que consistia na junção de mandalas com sons específicos.

Dentro de algumas semanas bastava a prática  do exercício; já não necessitava mais do medicamento para dormir. E passados mais ou menos dois meses, nem mesmo o vídeo se fez mais necessário. Trabalhando os conteúdos reprimidos em análise, a libertação se foi fazendo possível. Nenhum pensamento mais poderia perturbar o meu sono.

Agora eu durmo quando quero e como quero.
Nada me incomoda, nem no ambiente externo nem no interno.
Pode haver claridade, barulho, ausência de barulho...
Eu decido quando quero dormir.

A filha de Freud definitivamente matou minha insônia!

E isso, minha gente, não tem preço!!!

Wally

04/03/2012

A Psicanálise e Eu - Infância Intocável

Uma vez quebrada a barreira da ignorância, a vontade de estudar mais sobre psicanálise cresceu.

Naveguei um pouco aqui e acolá, fui ficando cada vez mais interessada no assunto e a vontade de não apenas estudar mas também fazer análise foi tomando conta de mim.

Eu já tinha vencido algumas barreiras, mas ainda restava uma que era bem perturbadora e que vou chamar de barreira da infância intocável.

Essa barreira, na verdade, eu não quebrei antes de começar a fazer análise, eu não precisei.

Mas deixe-me começar do começo.

A minha barreira da infância intocável era uma barreira de concreto. Então podem imaginar a resistência dessa barreira!?!

E o que seria essa tal barreira da infância intocável?
Bem, a meu ver eu tive uma infância maravilhosa, como poucos têm o privilégio de ter.

Convivi com uma turma de primos mais ou menos na mesma faixa etária que a minha, morávamos todos em uma grande fazenda que pertencia a meu avô, a qual era dividida em sub-chácaras, habitávamos em total segurança, éramos cercados por uma natureza esplendorosa, caçávamos vagalumes, filhotes de sapos, péscavamos em uma lagoa, brincávamos na cerâmica que pertencia a meu avô, andávamos no barro quando chovia, tínhamos campo de vôlei e futebol... ou seja, pintávamos e bordávamos da maneira mais saudável que se podia imaginar.
Mexer nessa recordação, pra mim além de inaceitável, parecia ser algo profano!!!

Então porque minha infância foi adorável, eu não queria que NADA nem NINGUÉM tocasse nessas lembranças, então criei uma barreira para proteger essa memória.

E psicanálise tem que revolver o passado certo?
Errado!
Na verdade, a resposta correta é: Nem sempre!

E eu descobri isso meramente por acaso em um grupo de discussão no facebook onde também participava meu psicanalista.
Ele explicava pra alguém que há uma abordagem psicanalítica onde se trabalha apenas eventos do presente e passado recente.

Bingo!! Pensei!!
E foi quando eu consegui transpor a barreira da infância intocável sem ter que destrui-la.

Mal sabia eu que em menos de 4 meses a barreira se “auto-destruiria” e eu estaria divagando sobre minha infância, agora tocável, sem maiores problemas...

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