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07/11/2012

Depoimento Borderline - Eu NÃO SOU Doença!

Hoje fui muito elogiada pela minha terapeuta! 
Eu me dei férias de 1 mês da terapia.

Férias mesmo, pausa, reflexão. Nada de rebeldia, apenas férias.
Hoje retomei e contei os milhares de "causos" e como reagi a cada um. 
Um parabéns atrás do outro. É, estou evoluindo... visivelmente. 

Milagres? Não. 
Empenho, dedicação e principalmente vontade de vencer e de ser reconhecida por mim mesma por isso. 
Tenho recebido elogios da família, namorado, alguns amigos e algumas pessoas do trabalho. Isso me motiva! 

Reafirmo a cada contrariedade: 

"EU NÃO SOU DOENÇA. EU TENHO UM LADO SADIO E É ELE QUE VAI TRABALHAR AGORA" 

E com isso eu mudo meu trajeto: de uma atitude destrutiva (doença) para uma construtiva (saúde). 

E é assim que vou caminhando pra frente...
Camila do grupo Vencendo o TPB


24/09/2012

TPB & Transtorno Alimentar - Depoimento


Nesse video Lucy conta um pouco do "início" da sua história enfrentando o Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno Alimentar.


"A RECUPERAÇÃO é o próprio trajeto que fazemos ao longo do tratamento, e um dia estaremos RECUPERADOS, livres!" (Lucy)

06/08/2012

Depoimento Borderline - Isabela

Tenho 20 anos e sinto um vazio imenso e que só foi crescendo há dois.

Sofri muito bullying durante toda a vida escolar desde os primeiros anos do primário; muito por conta da minha relação familiar que era demasiadamente cuidadosa comigo.

Creio eu que a rejeição me desenvolveu esse transtorno, o qual fui diagnosticada portadora faz um mês.

Fui internada duas vezes em uma clínica psiquiátrica. A primeira por tentativa de suicídio (tomei 60 comprimidos de rivotril 2mg) e a segunda porque tive um surto psicótico quando meu então namorado estava comigo.

Obviamente nosso namoro foi permeado por diversos altos e baixos. Eu ligava para ele no meio da noite, completamente surtada e paranoica e no instante seguinte implorava para que ele não me abandonasse, e eu não queria realmente que ele me deixasse porque eu sentia que minha vida não existia sem sua presença.

Foi um ano e meio de namoro, estávamos noivos, ele com suas roupas todas em minha casa somente aguardando uma chance de vir realmente para cá, traições mútuas e de diversos tipos...

Terminamos quando eu decidi voluntariamente ir para a clínica. No mesmo dia. No mesmo instante. No caminho eu desci diversas vezes do carro, ele teve que me seguir com o carro parado no meio de uma avenida, me puxar...

Eu estava correndo, me sentindo livre e presa ao mesmo tempo... Eram 23:00. Em minha estadia na clínica, que já conhecia, eu percebi que não precisava dele para viver.
Me senti bem por estar só e poder fazer o que antes não podia devido a grande disponibilidade que dava. Me doava totalmente. Vivia por outra pessoa literalmente.

Duas semanas se passaram e eu saí ansiosa para saber se ele tinha me enviado algum e mail. Não enviou. Eu, na verdade, sabia que ele não faria isso devido ao seu orgulho enorme, então, depois de dois dias em casa, resolvi mandar um eu mesma o convidando para tomar um café e discutir nosso fim de relação. De um jeito, pelo menos, amigável.

Ficamos juntos mais dois dias, e eu estava tão acostumada a ficar só que preferi terminar de uma vez. Não dava mais certo e eu não estava disposta a reconstruir tudo novamente. Era muita força e eu estava sem fé nenhuma na vida.

Passaram três dias desde que terminamos e eu não liguei para ele, não mandei mensagem, não sinto sua falta. Estou centrada em mim mesma. Preciso terminar algo que começo, preciso enxergar além de agora em diante.

O pensamento suicida é constante, tenho muito baixa auto estima, me odeio, choro todos os dias por estar em uma situação sem saída. A única solução que vejo é o cinema. Parece que quando assisto um filme minha alma encosta em meu coração e diz: Está tudo bem. Eu também sofro. Continue pois eu estarei com você. É a minha solidão me fazendo companhia.

Agora estou eu, em minha solidão, escrevendo as 4 da manhã para tentar destruir o indestrutível: meu ódio por ser assim... uma estranha

Por ser estranha me sinto um lixo. Não consigo ter amigos, pois penso que eles estão me julgando mal o tempo inteiro. 


Não converso com as pessoas olhando no olho. Me encolho e abaixo minha cabeça para ninguém "ler meus pensamentos". Por isso, por essa mania de que estão todos lendo meu pensamento a todo tempo, eu me tornei muito sensitiva

Sinto as coisas no ar, se estão tirando sarro de mim sem falar uma palavra, pela fisionomia do rosto. Alguém entende isso? 
Sou completamente paranóica e o álcool me ajuda apesar de o dia seguinte ser horrível, pois ele é uma droga depressora..
Isabela
(enviado por email)

30/10/2011

Depoimento Borderline - Apelo ao Amor

Tenho 35 anos. Tenho medo de amar de novo, pois a dor da perda me desequilibra emocionalmente a ponto de me paralizar e me prejudicar no que de melhor tenho a oferecer do que estudei e nos meus empregos. No que de melhor posso oferecer ao mundo.

Sou uma mulher feita, seduzo, sei ser carinhosa, mas no fundo tem uma criança dentro de mim que faz parte do meu eu e não consigo arrancá-la de lá.

Saí de um namoro no dia 02 de agosto deste ano. Foram dois anos. Apaixonei-me, vivi. Amei. Amo.

Queria um homem que me protegesse, e não o contrário. Ausências demasiadas me doem.
Considero que tive apenas dois relacionamentos sérios até hoje. 

Aventuras, não conto, pois não me envolvo, e não machuco, e não sou machucada. Mas isso não é como o Amor. 
É paliativo de mais um de nossos vazios...
Amar é, para mim, por demais perigoso.
É divino e é o que mais necessito. (contraditório, né?)
Não suporto quando se aproveitam da fragilidade ou euforia das mulheres border para más interpretações.
Para judiações.

Eu só tenho prazer quando AMO!
Fingir é fácil quando não se ama.
Maltratos disfarçados de euforia e suposta alegria são quase estupros!

Olhem pra gente!!!
Será que não enxergam que há um ser humano dentro de nós?
E na maioria das vezes um ser humano maravilhoso!
E não brinquem de mentirinha e ir levando quando dizemos que amamos.
Quando não amamos, não dizemos.

Se você um dia gostar de uma border, converse, modere, ela se doará, cuidará, será dócil.
Jogue limpo.

Mulheres precisam ser amadas e amarem.
Inclusive as border.
(choro porque estou sem o meu amor...)
Preciso ser amada: sou mulher
Abçs e Força
T.
(via email)

29/09/2011

Depoimento Borderline - De Pitbull a Labrador


Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Wally, querida amiga, como vai, tudo bem? Já estava com saudade de você!

É verdade que tomar a medicação,não é nada fácil! Logo de início, fiquei meio "mole", chapado, mesmo, e o médico já mudou duas vezes a minha medicação. 

No início, achei que estava piorando, mas confiei no meu médico que é muito seguro e experiente e perseverei com o tratamento

É claro, que o apoio da minha curadora Luciana, tem sido essencial. Mas ela é tão perfeita (visão borderline, estou trabalhando nisso...), que não quer me deixar ficar dependente dela, ela deixa muito claro que tenho que me cuidar por mim e nunca por ela. 

Tem sido difícil, ir às sessões duas vezes por semana, lidar com as mágoas e traumas do passado, principalmente da infância. Mas é NECESSÁRIO.
 .
E estou feliz, muito feliz. Sou um bom namorado, um bom amigo. Entrei para um grupo de Volley, toda a quinta a noite. E até agora, não arranjei confusão no meu time (o que é o máximo!). 

A Lu está sempre torcendo por mim na platéia e fico muito orgulhoso quando a vejo na arquibancada sorrindo para mim. São pequenos gestos que fazem toda a diferença

As vezes, ainda, tenho insônia e medo. Acordo suado no meio da noite, mas com as técnicas que estou aprendendo, controlo o meu medo e volto a dormir

Respiro e conto até dez quando fico nervoso e não estou telefonando tanto para a Luciana. Ela colocou uma cota de seis ligações por dia com no máximo dez minutos por cada ligação. Sabe que estou conseguindo respeitar isso? 

São os meus progressos e estou muito orgulhoso de mim. Estou "rosnando" menos. 
De um cão pitbull, estou me tornando aos poucos um labrador... (palavras da Luciana).
Um abraço, 
Fred

28/09/2011

Depoimento Borderline - Minha Mãe não me Enxerga


Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Tenho 16 anos e fui diagnosticada como borderline a um ano e alguns meses.

Fui levada ao médico pelo meu pai, que é separado da minha mãe e é muito mais... sensato, digamos assim. Fui passar uma temporada junto a ele e fui encaminhada a um tratamento adequado. 

Ao voltar pra casa, minha mãe foi informada da minha doença, mas ela simplesmente não aceita

Já cheguei a um ponto de que não consigo mais nem sorrir. Estou prejudicada na escola, já perdi o ano. Minha mãe sofre com isso, tenho certeza. Mas não tenho mais acompanhamento médico e nem tomo medicação, e o pior é não ter com quem conversar. 

Moro com 12 pessoas e não consigo conviver com nenhuma delas, as vejo como pessoas vazias e fúteis, enquanto sou vista como rebelde. 

Já tentei suicídio e mesmo assim minha mãe não abre os olhos. Eu imploro por tratamento, não aguento mais me sentir vazia, não aguento mais magoar todos que me amam.

Me sinto sozinha, e sinto ódio de mim por saber que a culpada disso sou eu. As pessoas que eu amo, magoo. E as pessoas que me amam, acabam desistindo e se afastando no final. 

Eu tento, juro que tento, controlar minhas palavras e meu sarcasmo. Minha ira não consegue ficar contida, já tive surtos de quebrar meus objetos mais amados. 

Todo mês tento algo novo, algo pra matar o tédio, mas nada me satisfaz, nem mesmo atividades que eu amo. Não consigo levar projetos até o fim... 

Vontade eu tenho, muita. Assim como tenho muita vontade de melhorar. Não vejo mais um futuro pra mim, não me acho merecedora de um final feliz. 

Não consigo mais esconder meu gênio das pessoas, não sei mais me controlar, coisa que antes eu sabia...Não sei mais o que fazer. Me perdoem, mas eu precisava desabafar. 
Um beijo, 
Indy.

26/09/2011

Depoimento Borderline - O Pai que Nunca Tive

Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Querido Ricardo, Estou muito emocionada com a sua história que é muito parecida com a minha.

Sou filha de um médico cirurgião, absolutamente egoísta, que espancava a minha mãe todas as noites, depois que chegava do plantão do hospital, na maioria das vezes drogado. 

Minha mãe nunca estava por perto, sempre correndo e apanhando do meu pai, sempre atrás de suas amantes, na maioria das vezes, enfermeiras de plantão. 

Até hoje, não sei se isso é verdadeiro ou fantasia da minha mãe. Vivia sozinha e nunca podia nem respirar, senão apanhava, apenas por existir. Tenho marcas pelo meu corpo

Agora, mais velha, olho para trás e vejo que me tornar borderline não restava outro caminho de escolha para o meu ego aguentar tanta violência

O nosso estigma é triste, carrego as marcas da minha trágica infância, buscando em cada rosto de um homem, o pai perfeito que nunca tive

Agora sob tratamento e com o carinho de meus avós paternos, porque, graças a Deus, meus pais perderam a minha guarda, pude refazer a minha vida

E sou borderline. 
Beijo, Ricardo e obrigada por me defender outro dia no post do Fred e curadora apaixonada. 
Luciana

25/09/2011

Depoimento - A Primavera é a Época dos Surtos


Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Olá minha querida e amada Wally,
Considero que esse post relata a essência do borderline.

Após anos e anos de terapia contínua e muita medicação, ainda, há dias que não me sinto boa o bastante. 

É tudo muito complexo no nosso mundo. Se faz necessário que sempre estejamos fazendo algo grandioso para medir o nosso valor. 

Porque eu tenho sempre que me testar?
Vida de borderline é muito complexa.

Bem, estou sempre aprendendo com você. Eu faço terapia de grupo (além da individual) com um grupo de 08 pessoas com diferentes diagnósticos: borderline, bipolar, psicóticos, depressivos, esquizofrênicos, histriônica, entre outros. 

E a nossa psicóloga, Juliana, que é excelente e especializada em psicose e TOC nos disse que a estação da primavera é a época dos surtos.

Fui buscar a resposta junto a minha psicóloga e ela afirmou tratar-se de um longo estudo de pesquisa e estatística. Por exemplo, os deprimidos sofrem suas crises mais agudas no final do ano, por motivos compreensíveis.

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Mas, como ela atende no Caps e seu consultório é especializado em TOC, Psicose e Síndrome do Pânico, a maioria dos pacientes, na época da primavera entram em surto e pré-surto. 
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Eu entrei (surto terrível), infelizmente e a maioria dos meus conhecidos. E muitos que navegam no blog também.

Um grande beijo para o meu Arcanjo,
sua amiga e admiradora de sempre,

Van

24/09/2011

História Borderline - Ricardo

Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Cara Wally, Absolutamente incrível esse post. 
Agora, mais consciente e estudando profundamente nosso distúrbio, após várias sessões de terapia, pude voltar no tempo, lá para o passado e resgatar memórias que eu insistia em esquecê-las.

Mas, através de fórceps, em meio a muita dor, veio a tona a minha infância. 

Triste infância. Fui um menino muito triste, reprimido. Filho de Coronel do Exército e de uma mãe extremamente controladora e possessiva. 

Os meus sentimentos em relação a ela são muito confusos. Ora a amo, ora a odeio. Os meus pais se separaram quando eu estava com quatro anos e ele partiu sem despedidas. 

Foi tudo muito traumatizante. Lembro-me, que deixou em cima da minha cama um antigo boneco Falcon e quase não tive contato com ele. 

Boa parte, dessa distância, deve-se a mal fadada interferência da minha mãe. Logo depois, ela casou-se e meu padastro me ignorou o tempo todo. 

Minha infância foi no mínimo pertubadora, solitária e minha mãe tem para comigo uma possessividade doentia e quase sempre, destroía os meus relacionamentos. 

Fui ignorado por meu pai, que até hoje não gosta de mim. Reconstruiu sua vida ao lado de uma nova mulher e tem dois jovens filhos. 

Já minha mãe, viúva, vive em outro Estado, mas me liga de seis a dez vezes por dia. Estou em terapia, aprendendo a lidar com essa mulher ameaçadora

E aprender a me defender diante dela. Porque apesar de ser um homem maduro, diante dela, sou ainda aquele pequeno garoto frágil e amedontrado. 

A negligência, o excesso de controle... os maus-tratos me tornaram um borderline. 
Parabéns pela matéria.
Abraços, 
"Ricardo"

23/09/2011

Depoimento Borderline - Um Divisor de Águas

Da série: Cativados pelo amor de Fred & Luciana
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Eu tenho 40 anos e sou borderline. Meu nome é Guilherme.

Estou muito impressionado com essa história de amor. Estou realmente sem palavras. 

Nós borders somos tão diferentes dos outros e há pessoas que são capazes de nos compreender sem julgamento? 

Nunca vivi uma situação dessa. Me fez pensar: talvez o problema esteja comigo e não com elas, não é Wally? Estou refletindo e assumindo a minha culpa nesse sentido. 

É muito cômodo colocar a culpa na nossa doença e seguir de olhos vendados como se a vida não nos desse opção de ser feliz

Essa história está sendo um divisor de águas na minha vida
Abraços

20/09/2011

Depoimento Borderline - Vencendo o Medo


Comentário feito nessa postagem aqui.

Meu nome é Anderson, tenho 30 anos e sou borderline. 

Estou em tratamento constante e tenho algumas crises muito sérias de despersonificação, onde tudo é muito nebuloso e solitário. 

Até pouco tempo, estava sozinho, sem namorada. Mas lendo essa história, pude perceber que é muito melhor ser sincero logo de cara e contar de uma vez que sou border e todas as suas implicações. 

Bom, fui apresentado a uma garota muito legal e me encantei por ela. Primeiro, fiquei me auto-observando: será que gostei mesmo ou é só impulso. Estamos saindo e está sendo muito bom. 

Ontem, a noite, contei tudo para ela. E, pasme: ela entendeu e foi muito querida comigo. E para minha surpresa, ela sofre de depressão e tb está em tratamento e contou tudo sb ela. 

Sabe, Wally, estamos juntos e aprendi, aqui com vc, que a verdade e a coragem devem ser maior que o nosso medo

O border vive com um monstrinho do medo dentro de si, mas eu consegui derrotá-lo e essa vitória está sendo maravilhosa.
Um grande abraço,
Anderson

19/09/2011

Depoimento Borderline - Entre Trancos e Barrancos

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Eu sou border e amo perdidamente um cara que é meio psicótico. 

Ele toma anti-convulsivo e outros medicamentos. E faz terapia. Eu tb, embora a nossa medicação seja diferente.

Estamos juntos há quatro anos. Rompemos umas dez vezes, mas logo reatamos, porque foram durante as nossas crises. Nosso namoro é um pouco tenso, pq nós dois não somos lá muito normais..rsrsrs

Mas quem o é? Entre trancos e barrancos, nós estamos juntos e na medida do possível: felizes, muito felizes. Temos 28 anos. E somos um casal muito parceiro. 

Só uma única vez, ambos ficamos na crise juntos, foi muito difícil para ele, pq eu perco a memória, fico despersonificada. Ele não, lembra de tudo. E coitado, se sentiu muito só. 

Nossas famílias não aceitam a nossa doença, dizem: como pode dar certo, dois malucos? Dói tanto, Wally. 

Mas a vida é assim e justamente por causa da nossa triste infância é que resultou na nossa doença: abandono e violência.

Mas, juntos, estamos bem.

Fico feliz pelo Fred, que é border conseguir ser amado pelo que é.

Parabéns pelo seu trabalho, que é belíssimo.
bjos,
Tamara

17/09/2011

Depoimento Borderline - Desabafo

Da série: Comentários que Merecem Destaque
Comentário feito nessa postagem aqui.

Tenho 25 anos, fui diagnosticado a alguns anos atrás e já comecei inúmeros tratamentos, mas como tudo em minha vida, não consigo seguir adiante. 

Graças ao meu interesse no assunto consegui muitas informações importantes que me ajudam a não machucar outras pessoas, mas não consigo deixar de me machucar... sou um caso extremo.... 

Já tentei o suicídio 3 vezes e tenho inúmeras cicatrizes no corpo de queimaduras de cigarro e cortes. Sou usuário de drogas e muito promíscuo. 

Em 2008 comecei um namoro, e foi muito estranho. Conforme o tempo passava fui vendo muito de mim nessa pessoa e quanto mais a relação se tornava difícil mais eramos dependentes um do outro. 

Ela não foi diagnosticada pois é mais nova. O transtorno ainda não afeta tanto sua vida. Bom, finalmente ela conseguiu interromper o ciclo e me deixar. 
Acho que ela foi a pessoa que mais chegou perto de me entender, e mesmo depois de 6 meses eu ainda a amo muito! 

Bom, desculpe o falatório, isso foi só um desabafo.

12/09/2011

História Borderline - Sidney

Eu tenho todas as características de um Borderline. Eu estou fazendo tratamento com psicólogo e estou lembrando de coisas do passado que eu tinha esquecido. Vou relatar algumas coisas para você.

Vou tentar ser o mais direto possível na explicação sobre a minha vida. Vamos lá! 

Sou filho de pais separados, fui criado só pela minha mãe, e ela tentou me educar da maneira que aprendeu. Ela me torturou fisicamente até os 11 anos. 

Por que tortura física? Ela guardava no guarda-roupa vários tipos de corretivos como vara de goiabeira, cinto, fios e régua de madeira... muitas das vezes apanhava sem saber o motivo ou sem direito de defesa.

Até hoje, eu me sinto mentalmente atrasado, pois não aprendi a pensar sozinho e fui doutrinado por ela a ter medo da vida

Aos 11 anos, eu entrei em depressão com a soma de vários fatores como: Agressões, mudança de bairro e pior de tudo... quem me dava carinho era o meu irmão do meio, ela expulsou ele de casa e não explicou o motivo.

Enfim, na adolescência, eu sofria outra tortura da minha mãe, ela passou da tortura física para mental

Todo santo dia, ela fazia as mesmas coisas: reclamava da vida, falava mal das pessoas, tenta tirar o meu espaço, não me deixa pensar e nem tomar as próprias decisões, ainda vivia mentindo e inventando histórias.

Aos 12 anos comecei a trabalhar em 2 empregos, eu cheguei a perder o ano no colégio. 

Eu mudava de bairro constantemente, sai de um bairro nobre para morar dentro de favela só por que a minha mãe queria ficar mais perto do namorado; e esse mesmo namorado quase me esfaqueou.

Eu quero muito me curar e sair disso de vez...
(via email)

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