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12/08/2012

Transtorno Obsessivo-Compulsivo

As características essenciais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo - (TOC) são obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou causar sofrimento acentuado à pessoa.

Leigamente diz-se que a pessoa tem várias "manias" e que é esquisito ou estranho mas, normalmente, o portador de TOC sabe que suas "manias", obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.

Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los. 

São experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo paciente em algum momento, ao longo do transtorno, causando ansiedade ou desconforto acentuados.

A pessoa tenta resistir a eles, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, reconhecendo-os, no entanto, como produtos de sua mente e não como originados de fora. Não são simplesmente medos exagerados relacionados com problemas reais.

Compulsões são comportamentos repetitivos (p.ex.lavar as mãos, fazer verificações), ou atos mentais (rezar,contar, repetir palavras ou frases) que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente.

Os comportamentos ou atos mentais são destinados a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, prevenir algum evento ou situação temidos e em geral não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou são claramente excessivos .

As Obsessões estão tão enraizadas na consciência que não podem ser removidas simplesmente por um aconselhamento razoável, nem por livre decisão do paciente. Elas parecem ter existência emancipada da vontade e, por não comprometerem o juízo crítico, os pacientes têm a exata noção do absurdo de seu conteúdo mental.

As idéias obsessivas podem aparecer, por exemplo, como uma musiqueta conhecida que "não sai da cabeça", ou a idéia de que pode haver um bicho debaixo da cama, ou que o gás pode estar aberto apesar da lógica sugerir estar fechado.

Em crianças aparecem como um certo impedimento em pisar nos riscos da calçada, uma obrigatoriedade em contar as árvores da rua ou os carros que passam, etc. Estas idéias obrigatórias, quando exageradas e promovedoras de significativa ansiedade ou sofrimento, constituem quadro patológico.

São muitos os exemplos de pessoas que adotam uma conduta excêntrica motivadas pela obsessão da contaminação ou pelo medo continuado de contágio diante de qualquer coisa que lhes pareça suspeita.

Há ainda, casos de pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis quando próximas de objetos pontiagudos, facas, foices, etc, devido a idéia indesejável de que podem, repentinamente e misteriosamente, perder o controle e matar uma pessoa querida.

Há quatro padrões sintomáticos principais no Transtorno Obsessivo-Compulsivo pela ordem de freqüência e que, de fato, constatamos na prática clínica quotidiana:

1- Obsessão de contaminação, seguida de banhos ou da higiene das mãos.

O objeto temido é difícil de evitar, como o pensamento sobre urina, fezes, contaminação microbiana, feridas, doenças, sujeira em geral e a compulsão envolve banhos e limpeza.

Tais pacientes podem auto-produzir escoriações pela forma exagerada com que se lavam e escravizam-se pelo ritual absolutamente rígido do ato de limpeza. Este é o padrão sintomático mais comum.

2- A obsessão da dúvida seguida da compulsão para verificação é o segundo tipo mais encontrado.

A obsessão de ter negligenciado a prevenção do perigo, como por exemplo, ter deixado o gás aberto, o ferro de passar ligado, a porta da frente destrancada, a torneira aberta, as gavetas e portas semi-abertas, etc., determina complicados mecanismos de verificação e reverificação obrigando o paciente a voltar várias vezes ao mesmo local.
Várias são as situações onde o indivíduo obsessivo é incomodado por sentimentos de culpa por ter negligenciado alguma coisa, daí a falsa impressão do perfeccionismo e meticulosidade.

3- Em terceiro lugar vem os pensamentos obsessivos meramente invasivos de temática extremamente variável.

Pensamentos libidinosos e obscenos dirigidos à objetos de veneração e respeito (santos, mãe, crianças, filhos), agressões que o indivíduo considera condenável. 

Por ter consciência destes pérfidos pensamentos habitando o seu psiquismo a ansiedade experimentada chega a ser insuportável.

4- A lentidão obsessiva ou pensamento persistente de criteriosa meticulosidade na execução das atividades corriqueiras transformando cada atividade quotidiana numa verdadeira liturgia de perfeição e ordem.

As coisas têm que ser feitas assim ou assado e, na dúvida de terem saído imperfeitas são meticulosamente repetidas.

As tarefas do dia-a-dia tornam-se demasiadamente morosas e de realização extremamente complexa e cansativa.
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Na realidade paira um dúvida na psicopatologia; seria realmente um caso de comorbidade se estivermos diante de um paciente com depressão mais sintomas obsessivo-compulsivos, ou estes seriam uma sintomatologia atípica da própria depressão?

De qualquer forma é extremamente comum a associaçào de TOC com transtornos depressivos e ansiosos. Também pode ocorrer essa concordância clínica com a esquizofrenia em aproximadamente 10% dos casos, com o estresse pós-traumático, com a dismorfobia, com transtornos da alimentação (anorexia e bulimia), com a hipocondria, e outros.

10/08/2012

Podemos Eliminar o Mal? - Documentário

Desde o início da História aos dias atuais, a humanidade tem lutado com sua natureza obscura.

Hoje, pesquisadores mundo afora estão descobrindo as forças ocultas que inflamam nosso demônio interior... 

... estão procurando meios de isolar e neutralizar a origem do mal no cérebro.

09/08/2012

Uma Historinha Sobre O Estresse

Em uma conferência, ao explicar para a plateia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:

Qual o peso deste copo d'água?

As respostas variaram de 250g a 700g.

O palestrante, então, disse:

O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você vai segurar o copo levantado. Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, eu vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando-o por um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância.

E ele continuou:

E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse. Se você carrega sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la.

Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga.
(autor desconhecido)

08/08/2012

O Inconsciente da Casa

Um médico psiquiatra francês, Alberto Eiguer, também formado em psicanálise, escreveu um livro intitulado L'Inconscient De La Maison - O Inconsciente da Casa - , onde ele afirma que nossa residência é um reflexo do que somos, ou seja há uma interação entre nosso inconsciente e nosso habitat.

Mas antes dele, o Dr. Paul Shilder, neuropsiquiatra e psicanalista, já havia teorizado o conceito de que os afetos, fantasias e pensamentos que envolvem nosso corpo têm uma função imprescindível na concepção que fazemos do nosso eu, comportamentos e nas nossas relações com o ambiente.

Assim, entendemos que nossas emoções e sentimentos emprestam uma configuração específica - e por que não dizer especial - ao meio em que vivemos.

O autor do livro em questão, disse que em suas visitas psiquiátricas à incontáveis domicílios, ele observava como a residência se adequava ao estado psíquico e emocional  do morador.

Quanto mais profunda era a crise do paciente, maior era a bagunça e a desordem, sendo que em alguns casos tinha até alimentos misturados com roupa, e a sujeira se confundia com a limpeza. 

Também segundo ele, o território do paciente psicótico quando em período crítico, se modificava totalmente, chegando ao ponto de a cama ir parar no corredor ou em um outro comodo já que o paciente perdia completamente o seu espaço pessoal.

Podemos dizer então que o ser humano reproduz à sua moradia aquilo que vive dentro de si.

Outra coisa que o autor menciona é que muitas vezes guardamos coisas sem uma razão aparente. E esses objetos podem representar segredos de família que não podemos trazer à lembrança como desejaríamos mas que também não conseguimos eliminar.

E acrescenta que nossa habitação é carregada de memórias e o modo como distribuimos as peças decorativas traduz hierarquias e dinâmicas psíquicas.

E por fim termina dizendo que é o afeto que dá sentido a cada peça e a cada canto em uma residência.

(referência de estudo: Mente e Cérebro 224 - EPP)

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