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Mostrando postagens com marcador Transtorno Borderline. Mostrar todas as postagens
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23/07/2011

Quero Ser Borderline

Da série: Termos de busca
Há dois dias fui surpreendida pelo termo de busca acima. Acho que fiquei uns 5 minutos com o queixo caído.

Como pode, me digam, alguém desejar ter um transtorno de personalidade?!??

Então me lembrei do depoimento de uma leitora do blog: O meu sonho é ser paraplégica. Se lembram?

No entanto, não sei bem porquê, mas o desejo de alguém ter um transtorno de personalidade me assusta mais do que o desejo de alguém em ser paraplégico.

Talvez pelo fato de que alguém que deseja ser paraplégico já ter um tipo de transtorno, ainda que não de personalidade. É uma parafilia, lembram-se?

Agora, alguém que deseja ter um transtorno de personalidade tem o que? Um desvio de conduta? 

Porque eu sinceramente não consigo acreditar que alguém emocionalmente (e/ou mentalmente são) possa ter um desejo tão masoquista!

Se você, leitor, tiver alguma luz para me dar, por favor, não retenha suas palavras.
Wally

12/07/2011

Advogada Encomenda a Própria Morte

Abandonada pelo marido, mulher que sofria de TPB encomenda a própria morte.

"Mãe, adeus. Consegui o que queria. Di, sinto a sua falta... Desculpe, vou tentar ser feliz". 

A carta, escrita à mão trêmula, foi o último comunicado da advogada Giovana Mathias Manzano, 35.

No dia 13 de junho, ela foi assassinada com três tiros, um na nuca e dois na cabeça, num canavial de Penápolis (479 km de São Paulo).

Para a polícia, familiares, amigos e colegas de curso, não há dúvida: Giovana planejou a própria morte.

Contratou o matador, pagou em dinheiro, escolheu o local do crime e a maneira como seria morta. Tudo após anos de luta contra a depressão. "Quis isso, não aguentava mais sofrer", escreveu.

Sem coragem para o suicídio, achou alguém para matá-la, um jovem "sem amor à vida", segundo a polícia.

O crime é o assunto de qualquer roda na cidade de 60 mil habitantes. "Em 23 anos de polícia, nunca tinha visto nada parecido. Mas não há outra hipótese", disse o delegado Mauro Gabriel.

Parentes e amigos ajudaram a esclarecer, relatando o motivo: tristeza, uma das consequências da síndrome de borderline, transtorno psiquiátrico diagnosticado pelos especialistas que a atendiam, caracterizado pela instabilidade de humor, angústia constante e profunda causada por medo de abandono.

As pessoas mais próximas dizem que tanto sofrimento era motivado pela sensação de rejeição."Ela é adotiva e soube disso quando era adulta. Em março, o marido dela decidiu se separar. Acredito que ela tenha se sentido rejeitada duplamente", disse um primo que pediu anonimato.

O marido ligou para o primo dela pedindo ajuda. Giovana havia sido internada após tomar uma dose excessiva de remédios fortes. "Ele disse que não conseguia mais ajudá-la e que em São Paulo havia especialistas para isso", lembrou o primo.

O parente foi ao Mato Grosso e trouxe a moça para Penápolis. A família a levou aos melhores psiquiatras da região. Ela era dedicada aos tratamentos, fazia terapia e tomava oito remédios para controlar sua angústia.

Tudo ia bem até março, quando o marido foi a Penápolis para formalizar a separação. "Ela não se conformava e voltou a ficar muito deprimida", contou o parente.

Mesmo diante da perda, Giovana buscou se reerguer. Iniciou os estudos num cursinho preparatório para concursos e fez novas amizades. "Era inteligente demais. Muito companheira. Mas, muitas vezes, estava triste", disse a amiga Verônica Lopes, 27.

Giovana não suportava a falta do marido, que, segundo as amigas, passou a não atender mais suas ligações.

Deprimida, recorreu a outro primo três dias antes da morte. "Preciso que você me apresente alguém barra pesada para me matar", pediu. Fez o mesmo apelo a uma amiga. Ambos, assustados, se recusaram a ajudar.

Sem auxílio, fez tudo sozinha entre sexta e segunda, dia do crime. Chegou a Wellington, que aceitou o serviço por R$ 20 mil (ele afirma que recebeu R$ 2 mil) e chamou um comparsa para incendiar o carro dela. Nesse intervalo, Giovana tentou mostrar normalidade - no domingo, foi ao aniversário da sobrinha.

Às 23h de segunda, logo após o Dia dos Namorados, tudo seguiria conforme o combinado com o matador.
Minutos antes de partir para a morte, rezou com uma professora no cursinho, mas disse um adeus frio às amigas. Uma delas pediu um abraço. A resposta: "Não posso. Tenho que ir".

"Achava que ela iria desistir", diz o suspeito.

Giovana e os dois homens se encontraram por volta das 23h do dia 13, no centro da cidade, logo após ela deixar o curso de preparação para concursos que frequentava. Ela mesma escolheu o local onde seria o crime e conduziu seu veículo, um Gol 2011, até o canavial. Ela desceu do carro, caminhou e levou os três tiros.

Macedo confessou ter dado um tiro na cabeça da vítima quando ela ainda estava de pé e efetuado os outros dois disparos quando ela já estava caída no chão. O comparsa acompanhou a ação e ateou fogo no carro, também a pedido de Giovana, que teria declarado aos dois não querer deixar nenhum bem a ninguém.
(fonte)

Veja também o vídeo da notícia e a opinião de um psicólogo: O Suicídio de Giovana

22/05/2011

Quando a Crise Borderline Passa


Quando a crise passa e a pessoa com TPB parece ter ganhado, ela talvez fique surpresa de que você ainda continue descontrolado. 

Do ponto de vista dela, a reação que ela teve o impediu de ver seu vazio âmago interior. Ela talvez pense que isso deve puxa-lo para perto dela ou pelo menos impedi-lo de retirar-se. 

Ela também pode ter dissociado, o que genuinamente a fez relembrar de coisas de maneira diferente. 

Você, naturalmente, se sente pior. Só que agora, você também está perplexo porque a pessoa com TPB não parece entender o impacto do que ela tem feito. 

Você também pode se sentir frustrado porque ela nunca parece aceitar a responsabilidade pelo seu próprio comportamento. 

O ciclo se repete constantemente.

(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

18/05/2011

Mecanismo de Defesa Borderline - Crítica


Críticas e acusações contínuas são outros mecanismos de defesa que algumas pessoas com TPB que agem para fora usam como um instrumento de sobrevivência.

A crítica talvez seja baseada num problema real que a pessoa com TPB tem exagerado, ou isso pode ser pura imaginação por parte do borderline. 

Os familiares entrevistados têm sido devastados e castigados por certos acontecimentos tais como carregar uma sacola de mercado do jeito errado e ler um livro que o border exige que eles leiam.

Um cuidador irritado disse que se por um acaso ele não cometer um erro imperdoável no dia, sua esposa provavelmente irá brigar com ele por ser tão perfeito.

Esse mecanismo de defesa talvez esteja realmente relacionado com o abandono.

O processo inconsciente de pensar do borderline talvez trabalhe dessa maneira:

"Se existir apenas uma coisa errada comigo, então tudo está errado comigo. Se tudo está errado comigo, eu realmente sou tão defeituosa como eu pareço. E quando as pessoas descobrirem que eu sou defeituosa, elas vão me abandonar. Então não pode haver nada de errado comigo – isso tem que ser a culpa de outra pessoa!".

Geralmente, o que parece ser raiva, impulsividade e comportamento manipulativo é na realidade uma tentativa mal-orientada de extrair envolvimento e afeição.
(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

30/04/2011

O Ego do Borderline

Segundo Marco Aurélio Baggio, os Borderlines são pouco capazes de se empenharem numa tarefa com persistência e acuidade. 

Desistem do esforço e circulam em torno daquilo que é preciso fazer mas não fazem. 

Em relação ao contato inter-pessoal, eles têm uma tendência a atacar o outro do qual dependem, como forma de camuflar a grande necessidades de dependência. 

São habilidosos em estimular o outro a lhes propiciar aquilo que precisam, mas recebem tudo o que lhe fazem como quem nada deve.

A personalidade do Borderline é uma peça de teatro onde os atores coadjuvantes estão sempre esperando ele, o ator principal. 

Trata-se de um ego que não tolera o vazio, a separação, a ausência, não sabe superar com equilíbrio os conflitos.

Essas pessoas ficam facilmente entediadas, não aceitam bem a constância ou mesmo a serenidade, e podem estar sempre procurando algo para fazer

Os sentimentos agressivos dessas pessoas não costumam ser dissimulados e eles frequentemente expressam raiva intensa e inadequada ou têm dificuldade para controlar essa raiva. 

Eles podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosões verbais. 

Por outro lado, essas expressões de raiva frequentemente são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de baixa auto-estima.

28/04/2011

Borderline - A Falta de Noção de Si

A personalidade borderline é caracterizada pela falta de noção de si, ou seja, essas pessoas tendem a não saber quem elas são, do que gostam ou do que esperam da vida. 

Por isso, tendem a ter dificuldades em fazer escolhas, tendem a ser contraditórios em suas opiniões e atitudes, e muitas vezes relatam crise de identidade. 

Isso também leva o paciente a dizer que se sente vazio e dependente do outro, pois ao não ter uma auto-referência, há uma tendência a esperar a referência do outro, isto é, que o outro lhe diga o que ser, como ser, o que fazer, etc.

Como a personalidade é construída basicamente pela interação da pessoa com o meio, pode-se dizer que a crise de identidade no borderline é decorrente da falta de estímulos do ambiente externo que poderiam auxiliar a pessoa a construir a auto-referência, a noção de si mesmo, a noção de sua personalidade.

22/04/2011

Borderline - Negligência Familiar

A ausência de um ambiente que auxilie na construção da auto-referência e da noção de si é verificada em famílias que invalidam ou punem os relatos dos filhos a respeito de suas experiências desde a infância.

Assim, ao relatar suas experiências, especialmente as negativas, essas crianças foram ridicularizadas, ignoradas ou era-lhes dito que não estavam sentindo raiva, por exemplo, quando de fato estavam. 

Além disso, tais famílias são constituídas por pais que habitualmente exigiram que os pensamentos, sentimentos e emoções fossem controlados, e isso invalidaria as situações que a criança vivenciou como difíceis e nas quais carecia de apoio. 

Por fim, a criança foi punida de alguma forma, por manifestar opiniões e preferências que fossem conflitantes com as dos pais.

Assim, para evitar conseqüências aversivas (já que nada ou quase nada do que se diz ou se faz é validado no ambiente, no caso do borderline), a criança passaria a experienciar sua personalidade a partir de estímulos externos, do que as pessoas do ambiente esperam dela, do que dizem que ela deve ser ou fazer, e isso a torna extremamente sensível ao humor e aos desejos dos outros.

Desse modo, pessoas com seu eu/sua personalidade, sobre controle do meio externo, não sabem o que querem, o que podem fazer e o que sentem, a menos que outras pessoas lhes digam o que fazer e o que é permitido sentir.

Por apresentar pouca noção do eu e depender muito dos outros é que a pessoa pode achar intolerável ficar só, pois sem o que os outros dizem a respeito dela ela fica vazia, e aí vem o sentimento de vazio. 

Mas, o fato de temerem a solidão não é explicado só por isso, mas também pela experiência de negligência, em que suas necessidades básicas não foram atendidas. 

Nesse sentido, pais que não forneceram suporte emocional quando imprescindível à criança, ou que a deixavam só, tornaram a experiência do eu muito assustadora, acarretando assim, na idade adulta, em buscas incessantes pela companhia de outras pessoas.

18/04/2011

Efeito Divisor Borderline

As pessoas não-borderlines são ambivalentes e podem experimentar dois estados contraditórios de uma vez. 

Os borderlines caracteristicamente mudam para a frente e para trás, inteiramente inconsciente de um estado de sentimento a outro...

A prática do “efeito divisor” pode transformar-se um ciclo contínuo. 

É muito difícil, se não impossível, cumprir todas as necessidades e expectativas de um borderline. 

Porque eles podem nunca estar claramente determinados - ou porque a pessoa com TPB tem problema em pronunciar-se nitidamente ou porque o border nem mesmo sabe que elas existem. 

Ou, uma vez que você dá passos para satisfazer as necessidades do borderline, eles podem decidir que querem algo mais. 

Seu papel pode mudar de herói a bandido diversas vezes em um dia, ou pode levar anos para a pessoa com TPB passar com ciclos através do padrão santo/pecador. 

Às vezes o borderline pode encontrar um novo “objeto de amor"; uma vez que o velho provou ser "defeituoso", somente para repetir o ciclo com alguma outra pessoa. 

Quando isto acontecer é seu trabalho manter uma opinião consistente, equilibrada de si mesmo em todas as ocasiões. 

Isto pode ser difícil porque o border tem muita certeza de que você fez algo terrível - e em resultado podem ser muito convincentes. 

Não é um papel (de teatro). Eles acreditam nisso

É também crucial que você mantenha uma perspectiva racional quando a pessoa com TPB o idealiza, no sentido positivo. 

Isto lhe ajudará a permanecer em um barco equilibrado durante aquelas épocas em que você estiver em maus lençóis.

(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

16/04/2011

TPB - Problemas de Controle

Os Borderlines talvez precisem se sentir no controle de outras pessoas porque eles se sentem muito fora do controle de si mesmos. 

Adicionalmente, eles talvez estejam tentando fazer seu próprio mundo mais previsível e controlável. 

As pessoas com TPB talvez inconscientemente tentem controlar outros por colocá-los em situações de nenhuma-vitória, criando confusões que ninguém consegue imaginar, ou acusando outros de tentar controla-los. 

De modo inverso, algumas pessoas com TPB talvez lutem com sentimentos de estar fora de controle por desistir de seu próprio poder

Por exemplo, eles talvez escolham um estilo de vida onde todas as escolhas são feitas para eles, como um exercito ou um culto religioso. 

Ou eles talvez se associem com pessoas abusivas que os tentem controlar através do medo.


(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

15/04/2011

TPB - A Falta do Objeto Estável

Quando estamos solitários, a maioria das pessoas consegue se confortar por relembrar o amor que outros têm por elas. 

Isso é muito confortante mesmo que estas pessoas estejam bem longe – às vezes, mesmo que elas não estejam mais vivas. Essa habilidade é conhecida como objeto estável. 

Algumas pessoas com TPB, contudo, acham difícil evocar qualquer imagem de alguém amado para se confortar quando se sentem perturbados ou ansiosos.

Se a pessoa não está fisicamente presente, ela não existe em um nível emocional

O borderline talvez ligue para você frequentemente só para ter certeza de que você ainda está lá e continua se importando com ele. 

O borderline talvez mantenha uma foto sua à mão ou leve consigo alguma coisa que você lhe deu para se lembrar de você, do mesmo modo que uma criança usa um ursinho de pelúcia para se lembrar do amor de seus pais. 

Essa estratégia é frequentemente sugerida por terapeutas para ajudar o borderline a entender e lutar melhor contra seus medos de abandono. 

Cartas, fotos, perfumes (aroma que traga ao border lembranças de seu companheiro) são tipicamente usados. 

Não-borderlines precisam entender que essas estratégias ajudam o borderline, muitas vezes reduzindo seu medo e ansiedade. 

Usualmente, o resultado é um relacionamento menos pegajoso, que frequentemente traz algum alívio ao cuidador.



(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

10/04/2011

Estudo sobre o TPB by Helena Polak - parte I

Nascida em Praga, capital da República Tcheca (fazia parte da antiga Tchecoslováquia), e radicada em Nova Lima, na região metropolitana de BH, a professora e tradutora por profissão Helena Polak, 66 anos, teve na repentina e dolorosa mudança de atitude de uma sobrinha a motivação para pesquisar a fundo um distúrbio comportamental relativamente comum, mas paradoxalmente pouco estudado pela ciência: o transtorno de personalidade limítrofe (borderline).

Queria poder explicar por que a parenta alternava o humor entre a alegria e a raiva tão rapidamente. Desejava entender o que levava a jovem a mentir, ser agressiva e autodestrutiva num momento e, no outro, alegre e gentil.

Disposta a ajudar, Helena percorreu consultórios de psiquiatras, psicanalistas e toda ordem de terapeutas, sem muito sucesso ou mesmo um diagnóstico preciso que permitisse algum tratamento e alívio para o sofrimento da família. 

“Minha sobrinha começou a apresentar atitudes muito preocupantes, gerando mágoas e ressentimentos. Por esse motivo saí em busca de explicações para as possíveis causas de tais comportamentos”, diz.

Mas, o que Helena descobriu foi que, apesar de ter sido descrito pela primeira vez, em 1938, pelo psicólogo norte-americano Adolf Stern, para definir uma patologia entre a neurose e a psicose, o conceito de borderline permanece pouco conhecido. 

“O primeiro congresso mundial sobre o assunto aconteceu ano passado, em Berlim, na Alemanha. Internacionalmente, a conscientização acontece de maneira lenta. 

Cerca de 25% das internações por problemas mentais são devidas ao borderline, mas demoram demais para fazer o diagnóstico”, diz a professora que, mesmo leiga no assunto, reuniu as mais diversas análises existentes, os diferentes tipos de abordagens médicas e escreveu o livro Sensibilidade à Flor da Pele – Entendendo o Transtorno Borderline.

A obra, lançada pela editora Clube de Autores e vendida apenas pela internet (www.clubedeautores.com.br), apresenta de forma simples as características do borderline e traz dicas práticas para uma convivência mais harmoniosa com as pessoas que sofrem desse transtorno

“Acho muito importante passar a mensagem de que é essencial entender o problema, adotar atitudes diferentes e ter compaixão. Isso é fácil de falar, mas difícil de fazer, porque o paciente, sem querer, acaba prejudicando as pessoas ao seu redor, causando problemas econômicos e outras coisas que geram muita raiva e ressentimento. Mas, se você ama, tem jeito de ajudar, sim”, diz a escritora.

(Primeira parte da entrevisa publicada na Revista Virtual Encontro)

07/04/2011

Borderline - Uma Contradição Ambulante

Assim como acontece com os bebês, todas as pessoas já experimentaram o medo do abandono. 

Um bebê tem duas necessidades básicas: se sentir seguro e desenvolver um senso de confiança com seus cuidadores. 

Quando eles choram, eles precisam saber que alguém irá reagir com amor, comida ou uma troca de fraldas.

Quando mamãe e papai vão embora, eles precisam saber que um deles irá retornar. 

Conforme as pessoas crescem, elas equilibram suas necessidades de dependência com outro objetivo: se tornar independente e se aventurar fora do útero protetor da família. 

Você pode ver isso nos dois anos de idade quando vaidosamente correm no parquinho, caem, e voltam chorando para a mamãe e papai. 

Conforme o tempo passa, a necessidade de correr de volta para os pais diminui e a necessidade de distinguir uma identidade separada se torna mais importante. 

As pessoas com TPB ainda continuam lutando diariamente com problemas de abandono e subjugamento. 

Divididos entre o desejo de união e o anseio por independência, elas talvez se sintam – e  se vejam – como uma contradição ambulante

Suas ações talvez não façam sentido porque metade do tempo elas procuram intimidade e apoio e no resto do tempo parecem ser compelidas a te expulsar. 

O que acontece é o seguinte: Um borderline pode começar a se sentir subjugado ou com medo de estar perdendo o controle quando uma pessoa se aproxima demais dele. 

Ele não sabe como estabelecer limites de maneira saudável, e a intimidade genuína pode fazê-lo sentir-se vulnerável. 

Ele talvez esteja com medo de que você possa ver o seu “verdadeiro” eu, fique enojado e o abandone. Então ele começará a se distanciar para evitar se sentir vulnerável ou controlado. 

Ele pode comprar uma briga com você, “esquecer” alguma coisa importante ou fazer algo dramático ou explosivo. 

Mas então a distância o faz se sentir solitário. Os sentimentos de vazio pioram e seu medo de abandono se torna forte. 

Então ele faz esforços frenéticos para se aproximar novamente e o ciclo se repete...

(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

03/04/2011

TPB - Colocando o Cuidador à Prova

Algumas pessoas com TPB talvez procurem ganhar o controle ao lhe testar para ver o quanto você realmente se importa com elas.

O raciocínio funciona assim: Se você realmente a ama, você estará disposto a colocar de lado todos os seus próprios desejos e se concentrar em preencher o buraco negro de necessidade dentro dela.

Por exemplo, se vocês combinaram de se encontrar num certo lugar em certa hora, ela talvez apareça uma hora atrasada. 

Se você “falhar” no teste por ficar irritado ou por desistir e ir para casa, a pessoa com TPB pode sentir que sua inutilidade esta sendo confirmada. 

Isso torna o mundo mais previsível e, portanto, mais seguro. 

Se você “passa” no teste por tolerar suas ações, ela talvez intensifique seu comportamento (talvez  aparecendo muitas horas atrasada na próxima vez) até que você finalmente exploda em fúria. 

Então você se torna o cara mau e ela se torna a vítima indefesa. 

Você pode estar perguntando a si mesmo: 
“Que tipo de teste é esse? 
Não importa o que acontecer, ambos iremos falhar!”. 

Você está certo. Isso não faz sentido algum em seu mundo. Mas faz sentido no mundo borderline...

(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

29/03/2011

O efeito do abuso emocional na auto-estima

Berbely Engel (1990) descreve o efeito do abuso emocional na auto-estima: 

O abuso emocional corta o próprio âmago da pessoa, criando cicatrizes que podem ser muito mais duradouras do que as físicas. 

Com o abuso emocional, os insultos, insinuações, críticas e acusações lentamente consomem a auto-estima da vítima até que ela seja incapaz de julgar a situação realisticamente. 

Ela se torna tão derrotada emocionalmente que culpa a si mesma pelo abuso. 

A vítima de abuso emocional pode se tornar tão convencida de que é imprestável que ela acredita que ninguém mais vai quere-la. 

Ela continua em situações de abuso porque acredita não ter mais ninguém para ir. 

Seu maior medo é ficar totalmente sozinha.


(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

25/03/2011

A Dança Borderline

A pessoa com TPB é a coreografia da dança do abandono e você apenas está sendo rodopiado de todos os lados, ficando progressivamente mais atordoado. 

Mas do ponto de vista dela, você é o único que tem todo o poder. 
Ela não consegue predizer como você reagirá ao seu comportamento. Você continuará dançando conforme a música? Será esse o tempo em que você desistirá? 

Não saber pode fazê-la se sentir em perigo e insegura. (E tenha em mente que ela já se sente em perigo e insegura). 

Lembre-se, para uma pessoa com TPB , todas as coisas são tudo ou nada. Uma vez que a dança pare, ela irá parar para sempre. E uma vez que você for embora, ela cessará de existir por não ter identidade própria. 

Se sentindo indefesa devido às suas próprias emoções e reações imprevisíveis, ela talvez tente manter o controle do único jeito que sabe: agindo para fora de maneiras que, para você, parecem intensamente manipulativas. 

Ela pode ameaçar suicídio. Então, uma vez que você se rende, a música começa e a dança se inicia mais uma vez.

(fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

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